Dispersão na Vila Hortolândia tem novo confronto entre polícia e foliões

Com informações do Jornal da Região

O Carnaval de rua em Jundiaí foi marcado mais uma vez por ações da Polícia Militar e da Guarda Municipal, com a utilização de gás de pimenta e tiros de borracha. Foram vários os leitores do Jornal da Região enviando mensagens sobre a dispersão tumultuada que ocorreu na rua Itirapina, na Vila Hortolândia, na noite desta terça-feira (28).

Lojas atacadas e houve tentativa de saque no Supermercado Dia. Algumas grades foram destruídas — foto de abertura feita por leitor.

Márcio Alessandro de Souza, morador da Vila Hortolândia e diretor do Centro Comunitário da Vila Hortolândia (CCVH) estava na praça do bairro quando a Guarda Municipal. Juntamente com a PM, começou a dispersar o público presente.

Márcio disse que a ação foi extremamente “truculenta, sem ao menos um aviso anterior de dispersão”.

Ele comentou que estava se divertindo quando a Guarda chegou “jogando bomba e agredindo as pessoas deliberadamente sem distinção alguma, tratando pais de família, como eu, como se fossem bandidos e arruaceiros… Não houve o menor diálogo e ao tentar conversar com dois guardas municipais totalmente enlouquecidos e despreparados fui agredido física e verbalmente”.

Márcio conta que policiais jogaram gás de pimenta em seu rosto. “Estou passando mal até agora…”.

O líder comunitário disse que vai tomar atitudes, mas ainda não sabe quais.

Outro morador, Vinícius Costa, disse que reside na Palmira Cervi Bárbaro, uma rua pacífica e que as casas foram atingidas por gás lacrimogêneo. A mãe dele, de 64 anos, passou mal. Ele disse que evento do gênero não dá mais para ser realizado na rua Itirapina. Que a Prefeitura poderia fazer a festa de Carnaval no Parque da Uva. Ele pediu aos policiais para agirem de outra forma com as famílias do bairro, que são pessoas inocentes. Ele disse que com o ex-prefeito Pedro Bigardi nunca teve problemas.

Marcio Ferreira dos Santos, diretor da Escola de Samba Leões da Hortolândia, desmontava o caminhão de som quando a polícia começou a agir.
 
“Foi uma ação desnecessária porque havia muita crianças e famílias ainda no local. Eles poderiam ter esperado as pessoas irem embora para então dispersar apenas os que ficassem para bagunçar”.
 
Bala de borracha na testa
 
A foliã, Flavia Faustino, foi atingida por uma bala de borracha na testa. Ela foi levada por um grupo de amigos para o Hospital São Vicente, onde recebeu os devidos cuidados. Um dos amigos da jovem, Roberto Junior, demonstrou sua indignação com o ocorrido em seu perfil no Facebook.
 
“Eu e meu amigo nos escondemos atrás de uma banca e esperamos o fim do tumúlto. Ligamos para a Flavia, e a prima dela atendeu e nos disse que ela estava perto da igreja e que um rapaz estava ajudando elas. Fomos ao encontro delas. No caminho, havia muita gente ferida, muitas pessoas muito preocupadas com crianças de colo, pais de família desesperados com o que estava acontecendo”, disse.

Comandante da Guarda lamenta ocorrências

O comandante da Guarda Municipal de Jundiaí, Cláudio Ferigato, divulgou comunicado nesta quarta-feira (01), lamentando os episódios do Carnaval na cidade.

“Apesar da Administração Municipal, dos organizadores e responsáveis pelos blocos de carnaval e das forças de segurança do Município se unirem para proporcionarem momentos de diversão, alegria e festa em comemoração aos dias de carnaval, infelizmente o que se observou foram o uso de muitas substancias entorpecentes, consumo de bebidas alcoólicas por toda a faixa etária, inúmeros casos de furtos e roubos em meio aos foliões e, para finalizar, o que seria uma festa, tivemos muitos atos de vandalismo, depredação de bens públicos, lojas, sinalização de trânsito e principalmente uma injusta agressão contra os integrantes dos diversos órgãos de segurança envolvidos no evento. Isso que obrigou a realizarem um proporcional uso da força, para controlar situação que poderia tomar outros rumos.”

 
Veja video com a ação da polícia na Vila Hortolândia feito por um leitor do Jornal da Região