Dos escombros foi extraída a beleza mais incrível da cidade

A frase do título é do vocalista do Burt Reynolds, Jota Wagner. Ele escreveu isso em um post que publicou no site da banda logo após o show de domingo (3) no Ocupa Colaborativa, esse galpão detonado invadido da rua XV de Novembro.

Pra mim resumiu.

Eu não tinha estado lá ainda, embora o assunto ocupação e colaboração e arte e música e essas coisas todas façam parte do meu universo desde sempre.

Fui pra ver o Burt Reynolds, banda que reencontrei depois de tantos anos com nova formação e uma energia e alegria muito boa de sentir. Revi pela primeira vez no #ocupapontetorta e fiquei sabendo que eles iriam ocupar o Ocupa Colaborativa e fui lá.

De câmera na mão e nenhuma ideia na cabeça fui registrando o show, a cena e me envolvendo com aquilo tudo. A estética do lugar é muito interessante. Dos escombros de um galpão abandonado surgem as cores e formas e livros e discos.

Meu primeiro contato foi com o som do DJ Xaci, carinha muito conhecido localmente vim a saber depois, mas uma grande surpresa pra mim. DJ Rock. Uma cultura musical sintonizada com minha cena interior de vida.

Na sequência veio o show e mais uma vez o som cru, energético e alegre do Burt Reynolds. É bom ver gente tocando e dando risada, curtindo o que faz. As caras & bocas do Jota Wagner são impagáveis.

E fui junto, registrando. Um dos takes inteiros está no link abaixo publicado pelo Burt Reynolds.

https://www.facebook.com/bandaburtreynolds/videos/1040471802705348/

Uma tomada de um fôlego só. Com acertos de enfoque e foco. Mas que registra a energia dessa banda que conecta a Seattle brasileira dos 90 com o movimento colaborativo de 2016. Na platéia, outros músicos, artistas variados, jornalistas e essa tribo estranha que costuma gostar de coisas diferentes.

Burt é diferente e igual a sempre, mas melhor. A nova formação fez bem pra banda.

Mas é mais que isso. É ver que o possível é sempre possível quando se está vivo e a fim de continuar na estrada. Esta semana o Burt gravou um novo disco. Vai estar em agosto num dos maiores festivais brasileiros, em Goiânia, e tem uma agenda de shows pela frente.

E o mesmo vale para essa ocupação colaborativa anárquica e meio mais ou menos que vai a trancos e barrancos sobrevivendo e mostrando que nem sempre é o convencional a melhor solução.

O Ocupa Colaborativa é um espaço criado na vibe das ocupações do mundo e do Brasil. Desde o ocupa wall street, dos movimentos na Espanha e Grécia, das ocupações de terrenos e casas vazias por movimentos sem teto e manifestações culturais como o #ocupapontetorta, feira entorta e outros.

Veio junto com o movimento dos coletivos da cidade.

E vai se construindo e buscando formas de sobreviver. São partes do mesmo todo. Desse mundo e Brasil e cidade já de saco cheio de velhas estruturas, de esperar por alguém que faça algo acontecer.

Não precisa.

Podemos fazer acontecer. Depende da gente. Gentes cantores, autores, artistas, organizadores, pensandores, esse povo comum que existe por aí.

Eu to junto.

BURT_Oa (2 de 2)

 

Fotos: Tati Silvestroni

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