Márcio Maresia e Big Chico neste domingo no Complexo Fepasa

Com início ainda em paralelo ao 5º Simpósio do Patrimônio na sexta-feira (18), um evento marcado por encontros de boa música acontece até domingo 20) no cenário histórico das antigas oficinas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Trata-se do Encontro no Fepasa, que vai proporcionar emocionantes encontros musicais. Neste domingo (20) é a vez de Márcio Maresia e Big Chico, gaitistas e blueseiros reconhecidos pelo seu trabalho. 

 

Serelepe e Vanessa Costa

Na sexta-feira (18), às 19h, o grupo de forró Serelepe, indicado ao 28º Prêmio da Música Brasileira 2017, promove pela primeira vez o Baile do Serelepe e convida a cantora Vanessa Costa para agitar o encontro.

Depois de ter tido várias formações tradicionais no trio de forró pé de serra composto por zabumba, triângulo e sanfona, o Serelepe se consolida como um projeto de duo em que Luccas Martins e Robson Póvoa tornam a música de cada um a base para criação das músicas.

O que se ouve é fruto das experiências que ambos trazem de outras vertentes como blues, rock, samba, choro e jazz. A proposta é se apresentar sempre com pelo menos um convidado especial, independentemente de qual instrumento toque. A formação em duo deixa bem explícita a assinatura de cada artista e multiplica as possibilidades.

E a convidada da vez é a cantora e compositora natural de Campinas, Vanessa Costa, que iniciou carreira artística em 2002 cantando forró, destacando com sua voz os principais compositores em shows pelo Brasil.

Após se aventurar pelo país afora decidiu se aprofundar em seu instrumento e passou a estudar na ULM (Universidade Livre de Música). Do estudo veio a recompensa de acompanhar durante cinco anos o grande mestre da sanfona, Oswaldinho do Acordeon. Esse trabalho trouxe a chance de estar no mesmo palco que Dominguinhos, Renato Borghetti, Yamandú Costa, entre outros.

Já de volta a Campinas, fundou com grandes amigos o Clube de Samba Saudosa Clotilde do Brasil, com a proposta de relembrar grandes sambas com uma nova roupagem. Com o grupo cantou ao lado de grandes nomes como:   Walter Alfaiate,Wilson Moreira, Cristina Buarque, Décio Carvalho, e muitos outros expoentes. Estudou também no Conservatório de Tatuí, atualmente é aluna do curso de licenciatura e bacharelado em canto popular na  Unicamp, integra o Coro Contemporâneo de Campinas além de cantora solo e professora de música.

 

Claudinei Duran e André Bellini

No sábado (19), a partir do meio dia e durante toda a tarde, um dos mais virtuosos instrumentistas do Brasil, o violonista e guitarrista Claudinei Duran, encontra o jovem André Bellini, conhecido do público como vocalista da banda de pop rock Locomotrom.

Bellini é músico e compositor e teve sua paixão pela música despertada desde muito jovem, quando aprendeu a tocar violão de maneira autodidata. Alé de seu projeto solo (voz e violão), também carrega a experiência de ser o vocalista das bandas Locomotrom e Danfunk.

Claudinei Duran é jundiaiense e violonista (sete cordas), além de guitarrista há 37 anos. Formou-se pela Universidade Livre de Música Tom Jobim e, por ser autodidata, foi selecionado para ingressar na faculdade diretamente no sétimo ano de um curso com duração total de nove anos.

Morou na Suíça e lecionou e fez shows em diversos países europeus, como França, Alemanha, Itália e Áustria. Participou de centenas de apresentações de jazz, entre elas do prestigiado Festival de Montreux Off, em 1997, ano em que também participou da gravação do CD Voies Sensibles.

Atualmente trabalha como arranjador e professor. É compositor e também se apresentou em shows como o “Reencontro” e “Adeus, Poeta”, realizados na Sala Glória Rocha. Também foi um dos fundadores de bandas locais, como a Trio em Transe, além de parcerias em áreas tão variadas como samba autoral ou arranjos instrumentais.

 

Fredy Fevereiro e Clayber de Souza

Também no sábado, às 19 horas, acontece o espaço para o cantor Fredy Fevereiro e banda receberem um músico considerado como um maiores gaitistas do mundo, Clayber de Souza. Aos 86 anos de idade, Clayber realiza pela primeira vez um show na cidade.

Fredy Fevereiro iniciou sua carreira na música em 1997, quando começou a trabalhar como profissional, em tempo integral e a estudar baixo elétrico na escola de jazz em Lausanne (Suíça), na Escola de Jazz Moderna. Em 2000, gravou seu primeiro disco (Desde que o Samba é Samba), tocando violão e cantando acompanhado da fantástica bateria e baixo elétrico de Mauro Martins e a guitarra do grande instrumentista e arranjador Ademir Cândido.

Em 2001, volta ao Brasil com mais experiência e inicia tocando nos bares e restaurantes na região de Jundiai, São Paulo e Campinas. Trabalhou três anos e retornou à Suíça em 2004, participando de bandas em festivais como Montreux, Paris e Barcelona. Em 2005 chegou coo convidado a La Coruña, para uma temporada e acabou permanecendo três anos na cidade espanhola, com passagens em eventos e programas de rádio e tevê.

Já o gaitista Clayber de Souza iniciou sua carreira aos 8 anos de idade tocando inicialmente com o grupo de acompanhamento de calouros na Rádio Cultura. Logo passou a se apresentar profissionalmente, inclusive com carteira oficial de permissão para menores. Ainda na época, em 1945, formou com dois amigos um trio de harmônicas que fazia parte do conjunto “Cadetes do Ritmo”, formado por ex-alunos do Liceu Coração de Jesus, como solista de harmônica ou como contrabaixista.

Em 1956, formou outro trio com Zezinho de Lima e Raymundo Paiva como propagandista da Gaitas Hering. Em 1957, integrou com Omar Izar e Raymundo o grupo “Omar Izar e seus Harmonicistas” que durou até 1959 com um grande saldo de apresentações no Brasil, vários discos 78 RPM e um LP. Logo após, integrou-se ao “Trio Gevalth” da Argentina, com quem viajou pela América do Sul e esteve na Alemanha em um Festival de Gaitistas instituído pela Fábrica de Harmônicas Hohner, classificando-se em primeiro lugar como harmonetista.

Em 1960, retorna para o Brasil e retoma seu segundo instrumento, o contrabaixo, e integra ao movimento da Bossa Nova, formando o “Manfredo Fest Trio”, como qual gravou 3 LP’s. Em seguida montou seu próprio trio ao qual nomeou “Sambalanço Trio”, lançando ao grande público dois fantásticos músicos, Antônio César Camargo Mariano e Airto Guimorvã Moreira chegando a gravar 3 LPs. Este trio foi considerado pela crítica brasileira como o melhor da Bossa Nova. Nesta mesma época recebe da PUC (Rio) uma medalha de ouro de melhor contrabaixista de Bossa Nova.

Paralelamente fez inúmeras participações como gaitistas em muitos LPs de vários cantores e grupos musicais da Bossa Nova.

Em 1970, reagrupa o Jongo Trio (conjunto vocal e instrumental) gravando 2 LPs. Na Europa, conheceu pessoalmente o gaitista Toots Thielemans, de quem já era fã incondicional. Voltou a viajar pelo mundo passando por 27 países e onde as críticas sempre o elevaram a um lugar de muita expressão, gravou vários discos. Em 1979, a fábrica Hohner o nomeou como “Um dos Dez Melhores Harmonicistas do Mundo”.

É autor de método de aprendizado para gaita de boca, o qual foi distribuído por onde passou. Este método foi editado pela fábrica de pianos Fritz Dobbert (Piano Fatura Paulista S.A.), com 100 mil cópias. O lançamento, em 1987, foi realizado  em rede nacional no programa Perdidos na Noite. E sua versão de gaita de boca do Hino Nacional foi gravada em 1984 com o Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

 

Márcio Maresia e Big Chico

No domingo (20), depois do meio dia e durante a tarde, Márcio Maresia alterna o palco com Big Chico. Ambos compõem a elite do blues nacional contemporâneo e fazem shows realizados em diversos estados brasileiros.

Big Chico é um artista de voz potente e multi-instrumentista, que leva o nome da cidade de Jundiaí para todo o Brasil e pelo mundo participando dos principais eventos e festivais de blues, como o Mississipi Delta Blues Festival e o Encontro de Gaitistas de Frankfurt.

Com mais de 20 anos de carreira, é considerado pelo jornal americano The Wall Street Journal como um dos principais representantes do blues no Brasil. Tem gravados 5 CDs, sendo ‘Feel the Blues’ seu novo álbudm acústico e solo, além de dois DVDs, sendo o último gravado na Argentina. O artista é garoto propaganda oficial da Budweiser e também trabalha como ator em jobs de diversas empresas.

O convidado Márcio Maresia é conhecido em todo o Brasil por seus mais de 25 anos de atividade, desde a primeira gaita recebida de presente na infância  até a turnês em parceria com J.J. Jackson ou a gravação de um disco autoral em português. Ele começou na gaita conhecendo músicas brasileiras como o célebre Edu da Gaita, mas logo passou a ter contato com o ritmo norte-americano que se espalhou pelo mundo a partir de Chicago.

Na cidade, onde possui uma escola e é muito respeitado pelo meio musical (inclusive sempre estimulando novos talentos como em sua participação deste ano no evento mensal Ocupa Ponte Torta). Márcio Maresia mostrou seu talento na década de 1990 com a banda chamada Blues Makers, grupo de apoio luxuoso com integrantes da Trio em Transe. Posteriormente, passou a excursionar por grandes cidades de São Paulo e do Brasil.  

 

Realização – O evento, que inclui área de alimentação, é promovido pela Moinho de Eventos (RJ), em conjunto com a Prefeitura pelo Departamento de Patrimônio Histórico, vinculado à secretaria de Cultura. A entrada é gratuita e o Complexo Fepasa situa-se na avenida União dos Ferroviários, 1760, Centro, com acesso pedestre pela rua São Bento e estacionamento pela entrada do Poupatempo.