Ferrovia acende novo farol para cultura da cidade

O apito do trem foi ouvido na região central de Jundiaí somente às 21 horas do dia 2 de maio de 2017, mas os trilhos simbólicos estavam colocados horas antes. A comemoração do Dia do Ferroviário ocupou o galpão principal das oficinas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, no Complexo Fepasa, com muitas emoções e o anúncio de uma série de assuntos no tema.

Um deles é o uso do palco montado ali, no meio da exposição, que está com agendamento concorrido na administração que agora conta com a sede de toda a administração municipal da cultura. Outro é o novo horário de funcionamento do Museu da Companhia Paulista, agora aos sábados e domingos das 9 às 16 horas.

Também foi anunciado o lançamento em Lisboa, em junho, do nono volume da série “Meu Pai Foi Ferroviário” pela Associação de Preservação da Memória da Companhia Paulista (APMCP) e pela In House. E também uma edição especial da ferrovia no programa “De Ponta a Ponta” no dia 13 de maio, às 14 horas, na TV TEM.

E mais a realização trimestral do evento “Conversas na Estação”, com ferroviários (a categoria dificilmente usa o prefixo “ex”), que teve sua primeira roda de prosa com gente como Milton Larrubia lembrando da sua entrada na Companhia Paulista em 1946, onde passou pelo setor de telégrafo antes de seguir para a Bragantina, em Campo Limpo, e depois para a Companhia Docas, em Santos, antes da aposentadoria.

Na verdade, todos ali tinham alguma ligação pessoal ou familiar com a ferrovia.

A gestora de Cultura, Vasti Marques Ferrari, definiu a nova fase do setor no complexo como “estar no coração vivo” da cidade. A diretora do museu (e do complexo), Adriana Faccioni, destacou a dignidade dessa categoria de milhares de funções e participantes.

O gestor de Mobilidade e Transportes, Silvestre Ribeiro, destacou que se projetos atuais forem implementados o Estado de São Paulo recupera até 2040 em torno de 2,3 mil km de ferrovias dos 6 mil km que chegou a ter em meados do século 20. “Precisamos voltar a olhar para a frente”, afirmou sobre esse transporte tão comum em países desenvolvidos e tão destruído em terras brasileiras.

Com um toque de viola caipira de Luizinho, o coordenador da APMCP e do Centro de Estudos e Lazer da Melhor Idade (Celmi), Eusébio Santos, lançou também o seu livro “Envelhecimento Social” e um jogral ao vivo para seu roteiro chamado “Baratinha” onde usa a velha locomotiva com esse apelido para um menino descobrir a comparação com seu avô.

A ideia, usada na década de 1990 pelo sambista Tomé Zabelê, cresceu para uma nova roupagem educativa.

A São Paulo Railway, criada entre Santos e Jundiaí, começou a funcionar em 1867 e estimulou o surgimento da Companhia Paulista no ano seguinte. Entre tecnologias, educação técnica, greves, trilhos, dormentes, sinos, estações, encampações e trens sua história seguiu até 1999, mantendo ainda cargas da MRS enquanto a primeira transformou-se parcialmente na atual CPTM, também representada no evento por Rogério Santos.

O complexo de oficinas e estação pode ter sua restauração completa viabilizada no futuro pela operação urbana proposta na lei 8.683, que propõe o uso de recursos volumosos pelo instrumento de outorga onerosa ao permitir prédios elevados em terreno ainda vazio do outro lado dos trilhos.

Enquanto a Prefeitura estuda esse tema, a ocupação está sendo feita. Além da Cultura, funcionam também na área outros setores municipais como Mobilidade e Transportes, a Guarda Municipal, a Estação Juventude e a Fundação de Ação Social (Fumas) – e mais o setor de cadastro único da Assistência e Desenvolvimento Social, previsto para outro local. Também funcionam ali a Fatec Jundiaí, o Celmi e o Poupatempo.

Embora a história de Jundiaí (ainda como Jundiahy) remonte aos anos 1600, a ferrovia é uma referência central do século XIX, no Segundo Império e em sua transição para República. Também desse período, ainda anterior à ferrovia, é a “Comédia Sem Título”, de Martins Pena, apresentada no palco do galpão pela Companhia Municipal de Teatro.

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