Fórum Permanente inicia debate de propostas para revitalização do Centro

O Solar do Barão abrigou sábado (25) o primeiro encontro do Fórum Permanente do Centro, uma iniciativa criada pela Prefeitura de Jundiaí para estimular o surgimento de propostas para a valorização dessa região histórica da cidade.

Entre as ações sugeridas por meio dos quase 30 participantes do evento estão passeios fotográficos, com o primeiro marcado para 22 de fevereiro, projetos visuais de grafite ao ar livre ou em diálogo com o patrimônio, estudos com o público de usa ou mora na área, articulação de equipamentos culturais públicos e privados, eventos culturais mensais, projetos para os moradores de rua e uma intervenção coletiva na área conhecida como Escadão, entre outras.

A iniciativa foi estimulada pelo prefeito Pedro Bigardi, na visita realizada ao evento Festival Natal Pão e Poesia, dia 21 de dezembro de 2013. O evento homenageou por meio de um comitê os 20 anos do Pão e Poesia com um grande número de atrações voluntárias de música, teatro e poesia com artistas locais nas praças Governador Pedro de Toledo e Marechal Floriano Peixoto, no Largo da Matriz.

Na ocasião, o evento apoiado por diversas entidades civis foi aberto com uma roda de conversa sobre o tema provocada pelo arquiteto Araken Martinho sobre o conflito entre o fixo, que é a história e os habitantes locais, e o fluxo, com as redes de capital, de consumo e até de praças que perdem o caráter de convivência.

Mas o encontro não ficou apenas nas propostas de ação própria e apontou demandas ao setor público. Entre elas, mudanças na sinalização para incorporar nomes antigos aos atuais de ruas, praças e lugares; a criação de bicicletários e fraudários; o mapeamento e valorização de rotas de pedestres; a aplicação e fiscalização da lei do Polígono Histórico (do Plano Diretor); o incentivo a empreendedores culturais no sentido mais amplo; o registro da história das edificações da área; o foco em pontos de convivência e a manutenção permanente; a transferência da escultura chamada Caravelas; a ampliação do calçadão e da lei das fachadas; a valorização do roteiro gastronômico da área expandida; a análise de acessibilidade de calçadas e do Calçadão; a criação de um serviço de apoio técnico para reformas adequadas em imóveis antigos; e mais a realização de parcerias acadêmicas e outras.

“Foi um encontro de ideias”, resumiu Jean Camoleze, diretor de Museus da Secretaria Municipal de Cultura. Entre os presentes estavam o arquiteto de restaurações Eduardo Carlos Pereira (que trouxe informações da reabertura do Cine Belas Artes, em São Paulo); a professora da Fatec Jundiaí, Sueli Batista; o ativista do Voto Consciente, Henrique Parra Parra Filho; o artista de grafite Alexandre “Estranho” Oliveira; a diretora do Museu da Energia de Jundiaí, Shari Carneiro de Almeida; o criador do portal Jundiahy, José Arnaldo de Oliveira; e mais a passagem do arquiteto Araken Martinho.

Quais são as prioridades

O termo “revitalização” foi questionado no encontro, mesmo porque terminou ao meio-dia com um calçadão tomado de pessoas no horário comercial. Para Henrique, algumas metodologias adotadas em projeto semelhante em São Paulo podem ajudar a definir prioridades conjuntas. Também foram lembrados problemas de segurança noturna, de destruição causada pela pressão por espaço dos automóveis, os diversos espigões residenciais ou comerciais aprovados para a região e de desafios para inovações culturais.

Estiveram ainda no evento o diretor da Escola de Governo, Marcelo Lo Mônaco; o autônomo de edificações, Vladimir Salles; o historiador Alexandre Oliveira (Museu Histórico); os educadores sociais Marcos Boriero e Marcos Valerios (Secretaria de Ação e Assistência Social); a arquiteta Alexandra Dodi; a socióloga Creusa Claudino (Museu Histórico); a fotógrafa Regina Kalman; Alexandra Mattos, Dárcio Alves Marcolino e Cleofas Barbosa, além da estagiária Milena Menardo.

Em Jundiaí, o Centro ocupa desde a primeira metade do século 17 o alto de uma colina formada a partir dos vales dos rios Jundiaí, Guapeva e do Mato e forma a referência de uma das dez cidades mais antigas entre os 645 municípios paulistas.