Jardim do Solar do Barão não era um, mas dois

Mandei plantar folhas de sonho no jardim do solar, dizia a banda Os Mutantes no clássico “Panis et Circenses”.

Por José Arnaldo de Oliveira

Ainda não se sabe qual o desenho do sonho que o diretor Paulo Vicentini tem para o jardim do Solar do Barão, sede do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí. Mas redesenhar o jardim é o principal motivo para o local ficar fechado em abril e pelo menos a primeira quinzena de maio, como anunciou o governo municipal em seu portal eletrônico na quinta (30).

O prédio, construído por volta de 1860, é tombado como patrimônio pelo Conselho Estadual do Patrimônio (Condephaat), e foi um dos últimos em taipa de pilão da cidade.

O imóvel pertence à família Queiroz Telles e foi a sede familiar do Barão de Jundiaí, que depois deu o nome à rua que então ainda tinha o nome original de rua Direita, sendo alugado há 35 anos pela Prefeitura de Jundiaí para sediar o museu criado anos antes pelo padre Antonio Stafuzza.

De acordo com fontes próximas, Vicentini está discutindo com outros integrantes do governo, como a gestora de Cultura Vasti Ferrari, pelo menos três frentes principais. A primeira é a remodelação do jardim, que tem 1,5 mil metros quadrados e ainda conta com exemplares dos antigos bancos de praça patrocinados por comerciantes locais.

Ele trabalhou na década de 2000 no local, em parte com o antigo e mítico diretor Geraldo Tomanik (um especialista na história “branca” da cidade, com acenos para as menos pesquisadas histórias indígenas ou afrobrasileiras). E descobriu familiares de moradores do local que mostram ter havido ali dois jardins vizinhos, refletindo uma divisão temporária do próprio casarão.

O segundo ponto em foco para o novo diretor é a análise de possíveis meios para o jardim voltar a ser ponto de descanso e contemplação de frequentadores do Centro Histórico. Se possível, incluindo pelo menos em parte do dia a função de ligação entre a rua Direita – ou melhor, Barão de Jundiaí – e a rua do Comércio – ou melhor, Rangel Pestana.

Esse aspecto envolve questões de segurança. Finalmente, o terceiro ponto é a renovação do modelo de exposições que acontecem no local para novamente atrair um bom fluxo de público. A primeira delas deve ocorrer com a reabertura do museu e está sendo mantida em sigilo.

Enquanto esses pontos estiverem sendo definidos, o mês de abril vai encontrar o Centro Histórico sem diversos espaços municipais.

Além do Solar fechado temporariamente, a Casa da Cultura está se mudando para o Complexo Fepasa e o Centro das Artes, alvo de manifestações de apoio dos grupos teatrais da cidade no Dia do Teatro e do Circo, está fechado desde 2013 e não tem prazo definido para a retomada e conclusão das obras de reforma iniciadas em 2015 e paralisadas no ano passado por atrasos de pagamento.

Resta o Teatro Polytheama, que neste sábado (1) recebe a abertura da temporada dos Concertos Astra-Finamax com a Orquestra Jazz Sinfônica e o Nelson Ayres Trio a preços populares de R$ 10, e a Pinacoteca “Diógenes Duarte Paes”, que na outra sexta (7) abre exposição do artista Alex Roch.

No meio do caminho, um espaço comunitário de cultura que é o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa também mantém atividades com uma exposição de retratos de Jundiaí do século XIX e XX, até o dia 15 de abril.

Antes da reabertura do museu também tem, no dia 28 de abril, o retorno do evento Sexta no Centro que passa a utilizar para os shows o coreto da praça Marechal Floriano Peixoto, atrás da Catedral.

A medida foi justificada pela economia dos custos de aluguel de palco, uma vez que o coreto é do poder público. Mesmo sem o museu reaberto ou atrações oficiais, entretanto, a região central vale a visita pelo conjunto de fachadas históricas que abriga e pela diversidade de pessoas que recebe todos os dias.