Jards Macalé: “Não vejo diferença entre o erudito e o popular”

José Arnaldo de Oliveira e Bruno Galiego 

Com uma bagagem de 52 anos de envolvimento com a música, 17 discos lançados e dezenas de composições interpretadas por artistas e bandas dos mais variados gêneros, Jards Macalé se apresentou no teatro do Sesc na noite do último sábado, 1. 

Jards Anet da Silva ainda jogava bola na praia de Ipanema quando ganhou o apelido “Macalé”, que foi inspirado naquele que era considerado “o pior jogador do Botafogo”.

Se no futebol sua performance era sofrível, no mundo da arte o negócio foi bem diferente: estudou piano e orquestração com Guerra Peixe, violoncelo com Peter Dauelsberg, violão com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno, análise musical com Esther Scliar.

Além disso, Jards Macalé fez direção musical dos primeiros espetáculos de Maria Bethânia. Nomes como Gal Costa, Clara Nunes, Camisa de Vênus e o O Rappa já interpretaram canções do compositor. 

A vasta experiência musical trouxe uma característica que define a obra de Jards Macalé: o ecleticismo. “Rótulos não existem, o que existe é a música. O que me une à todas as formas musicais é a própria música. Tanto faz, não vejo diferença entre o erudito e o popular “, explica. 

Artista múltiplo, Jards Macalé vê com bons olhos os caminhos que a MPB vem trilhando atualmente. “São várias formas de música, vários autores novos. Existem vários artistas produzindo e que superam os rótulos, eles fazem música e poesia livres”. 

O compositor também lembrou do auge da sua fase de evolução profissional, que foi marcada pela Ditadura Militar. Jards Macalé ressaltou a importância das artes no combate às repressões.

“É uma forma de resistência fundamental contra todos os sistemas decadência, de depressão. A arte, por muitas vezes, precisa desconstruir para construir”, disse.

Veja a entrevista: 

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