Joaquim, o filme, recria ambiente colonial no Brasil

O alferes Joaquim, uma espécie de cabo militar nas forças de Portugal, busca ouro nas Minas Geraes do século 18 para tentar a compra da escrava de que está apaixonado antes de descobrir que ela tem uma nova identidade rebelde inspirada nos ancestrais da África. Os caminhos surgem perigosos com a presença de ameaças como as onças, tudo emoldurado por uma espécie de “thriller” de suspense e delírio.

Esse filmaço do diretor Marcelo Gomes, premiado no Festival de Cinema de Berlim e produzido por REC Produtores (Brasil) e Ukbar Filmes (Portugal), é a atração deste sábado (3) e domingo (4), na sessão das 11 horas no MovieCom Arte, no Maxi Shopping. Com o detalhe especial de que o protagonista é interpretado pelo ator jundiaiense Júlio Machado, já consagrado no cinema em filmes como “Trago Comigo” e na televisão por novelas como “Velho Chico”.

É uma livre criação inspirada na pessoa de Joaquim, antes dos acontecimentos que levaram ao mitológico Tiradentes e, de forma mais ampla, à noção de Brasil. Uma época bastante esquecida, mas que faz parte de toda essa história.

Até em Jundiaí (ainda no tempo em que se escrevia Jundiahy), onde a área central chamada Barreira teve um posto de impostos sobre cargas de mulas ou minérios para Portugal que foram aumentados pela Câmara no final dos anos 1700 para ajudar a recuperar Lisboa depois de seu terremoto.

 

 

 

 

 

 

Júlio Machado começou nos grupos de teatro da cidade e usou seu talento para criar uma sólida carreira. Formou-se na Escola de Artes Dramáticas da USP, em 2007, e fez mais de vinte peças de teatro (com destaque para a “Ópera do Malandro” como o protagonista Max), foi cantor de uma banda chamada Adenotrip e fez uma ponta no cinema em “Antonia”, de Tata Amaral, e muitos curta-metragens.

Está no ar na minissérie “Os Dias Eram Assim”, contracenando com Suzana Vieira, e espera a estreia em breve de outro filme, “A Costureira e o Cangaceiro”, de Breno Silveira.

De acordo com críticas como de Bruno Carmelo no site “Adoro Cinema”, o filme começa de maneira chocante onde um narrador-defunto se apresenta como o decapitado Joaquim José da Silva Xavier, que passou a ser estudado nas escolas como herói mas rompe tempos e cronologias para uma narrativa que vai desconstruir tudo, em uma narrativa viva com câmera na mão acompanhando personagens contra o imaginário do comportamento empostado atribuído às relações sociais no século 18.

Essa leitura também envolve um ignorante militar português interpretado por Nuno Lopes serve de referencial para Joaquim esclarecer sobre como acontecem a busca do ouro, a obtenção de patentes, a travessia de rios cheios de piranhas. E figuras ausentes dos livros de história por serem os “derrotados”, em grandes momentos com o o escravo interpretado por Welket Bungué ou o índio interpretado por Karay Rya Pua.

Tudo isso, mais do que um mito criado pelas elites da República, estaria colocando os motivos que poderiam levar Joaquim a ser militante. Parece não ser por menos que festivais internacionais reconheceram o filme como um dos melhores dos últimos tempos. Isso é o mais importante, apesar da polêmica política causada pela leitura pelo diretor e equipe em Berlim de um manifesto de ilegitimidade contra o governo com um Fora Temer.