Jundiaí de “Eu Te Levo” é aplaudida em festival de cinema latinoamericano

Por José Arnaldo de Oliveira A noite de sábado (23) marcou no 11º Festival de Cinema Latino Americano, em São Paulo, a primeira exibição do longa-metragem “Eu Te Levo” (Academia de Filmes). A história embalada por uma trilha sonora de rock com pitadas de música italiana, que desmonta narrativas lineares de vida, foi concebida pelo próprio diretor Marcelo Muller e é liderada pelo protagonista interpretado por Anderson di Rizzi, com apoio de qualidade dos demais atores como Giovanni Gallo e Rosi Campos. Na tenda lotada da exibição um outro protagonista mais discreto também marcou presença. A cidade de Jundiaí, um pedaço de interior a 60 quilômetros da metropolitana São Paulo, divide com a capital as locações do filme e também boa parte das inspirações para a ficção sobre um personagem dividido entre as responsabilidades com a loja da família após a morte do pai, o passado de músico amador e o sonho de ser bombeiro. Estão ali a estrada, os figurantes (ligados a histórias locais como o Performático Éos, a Companhia Paulista de Artes ou o Ateliê Casarão) e ainda peças da trilha sonora (como das bandas Gasoline Special ou V.A.I.N., que ecoam movimentos musicais ligados pelo lema Visite Jundiaí, a Seattle Brasileira da década de 1990, e bandas Perturba e The Opposite of Hate). Tudo costurado pelo filme com locações variadas em casas antigas, saletas inesperadas, comércio de bairros tradicionais ou carros de segunda mão. Tudo é potencializado pelas filmagens em preto e branco que valorizam o contraste e a tensão entre os espaços familiares e a busca paralela de dois amigos por novos horizontes. Nada segue os moldes das soluções ou finais felizes, mas há uma leitura vital bastante clara nessa história pouco convencional. Na verdade, o filme “Eu Te Levo” é uma produção que fala de amizade, de sonhos e de realidade. Tem detalhes como a água descendo por superfícies planas e verticais em mais de uma cena, ligando sutilmente situações onde dogmas parecem possuir um peso que na verdade está mais no olhar de quem vê do que no material que está sendo olhado. Mas se propõe um debate, esse fica para cada espectador. O que a tela mostra é um artesanato de imagens, diálogos e músicas. A vida de cada um é formada por suas circunstâncias. Mas também por suas escolhas possíveis. Veja trailler em www.vimeo.com/175683571