K2, Spice ou Maconha Sintética: Conheça os riscos dessa droga e fuja dela

Por Dave Coutinho, da SmokeBuddies

Com efeitos semelhantes aos da erva natural, porém causando convulsões e danos irreparáveis ao cérebro, a maconha sintética é uma droga perigosa e o risco de perder a vida não vale a brisa. Fica o alerta, informação também é redução de danos.

Recentemente a droga K2, Spice ou mais conhecida como maconha sintética ganhou destaque nos noticiários do mundo por conta de uma overdose em massa, no bairro do Brooklyn, em Nova York. O Caso ocorreu no ano passado. Mais de trinta pessoas foram encontradas com sinais da droga e precisaram serem socorridas.

“Era que nem uma cena de The Walking Dead, as pessoas estavam cambaleando em todos os cantos”, afirmou um dos moradores da região, Brian Arthur, enquanto transmitia o desespero dos usuários em um vídeo ao vivo no seu Facebook.

De acordo com o jornal The New York Times, os usuários da droga na região são conhecidos como “zumbis” e uma nova legislação, de 2015, proibiu a comercialização da droga sintética em estabelecimentos comerciais, reduzindo o consumo do K2 em até 85% – e, no entanto, o problema continua, em especial entre os sem-teto.

Apesar da sua comercialização ser proibida, em Nova York, a ‘maconha sintética’ não possuí um fabricante específico. São muitos fornecedores, o acesso é relativamente fácil e custa cerca de US$ 1, numa pesquisa rápida pela internet você consegue achar vendas de pacotes individuais e até lotes da substância, inclusive no Brasil.

Um novo estudo, o Global Drug Survey 2015, detectou pela primeira vez que a versão sintética da maconha vem sendo usada no Brasil. No país, o levantamento é coordenado pela Unifesp e divulgado na Folha de S.Paulo.

Disfarçada de incenso e ervas aromatizadoras, através dos tradicionais nomes Spice, K2, High Legal, Black Mamba, Cannabis Blends e entre outros o importante é destacar o que realmente é essa tal de “maconha sintética”, o que não tem nada a ver com a maconha natural, seus malefícios e através desta informação evite o uso, afim de reduzir os danos que pode levar a morte.

– O QUE É “MACONHA SINTÉTICA”?

Na sua essência, maconha sintética é uma mistura de produtos químicos industriais com moléculas sintéticas de THC pulverizados sobre qualquer erva seca – como capim, envolto em brilhantes e chamativos pacotes coloridos são vendidos sob uma variedade de nomes – K2 e Spice sendo as mais conhecidas – embora centenas de outras marcas foram encontrados.

Enquanto ela é projetada para se parecer com maconha, mesmo não possuindo aroma e a aparência da natural, o seu consumo afeta o cérebro de forma diferente do que a droga natural, e, de acordo com o NIDA – o Instituto Nacional de Abuso de Drogas, nos EUA, informa que os usuários podem experimentar: ansiedade, agitação, náuseas, vômitos, hipertensão arterial, convulsões, alucinações, pânico, incapacidade de comunicação, paranoia, além de levar o usuário a agir com violência.

– COMO SURGIU?

Na década de 90, na Carolina do Sul, o químico americano John W. Huffmann, começou a sintetizar canabinóides, na busca de medicamentos para o alívio do sofrimento de pacientes de aids e câncer, mas que acabou por fim se tornando uma droga perigosa.

Anos depois Huffmann, não gosta de falar sobre o assunto e já declarou a uma rádio da Carolina do Norte: “Você não pode ser responsabilizado pelo que idiotas (usuários) fazem”.

Para Dartiu Xavier da Silveira, psiquiatra e pesquisador da Unifesp, a maconha sintética surgiu por conta da proibição das drogas, como declarou a Folha. “Toda medida proibicionista leva a novas modalidades de uso das drogas, muitas vezes mais perigosas”, afirma.

Dartiu considera a maconha natural uma droga segura. “Se você levar em conta o número de pessoas que usam maconha e os problemas decorrentes, a porcentagem é muito pequena, mesmo em comparação ao uso de drogas lícitas, como álcool e tabaco.”

– POR QUE É TÃO POPULAR?

Primeiro, o preço. Enquanto nos EUA o preço da maconha real pode variar de Estado para Estado, a droga sintética custa muito menos, vendida em algumas lojas como incenso e na sombra da lei se torna um hit para as crianças e moradores de rua. Segundo. A maconha sintética não aparece nos testes de drogas, tornando-se a primeira escolha para as pessoas que enfrentam exames frequentes, como os militares ou quem tiver sob supervisão judicial.

Vale ressaltar também que os motivos de tal popularidade, são pela droga conter versões sintéticas de THC e a maconha natural ser proibida, levando os usuários a utilizarem a fim de burlarem a proibição.

Países como Hungria, Polônia e Nova Zelândia proibiram a comercialização da substância desde meados de 2014.

– É ILEGAL?

Nos primeiros anos de existência, os fabricantes tiveram pouca preocupação com a fiscalização, já que eles comercializavam a substância como incenso e e tinha estampado nas embalagens “Não é para consumo humano”. Como o uso e a doença atingiu níveis preocupantes, que estados como New Hampshire, Nebraska e Nova York começaram a reprimir. Regulamentar ajuda a reduzir a disponibilidade e o uso, mas isso não tem sido a melhor forma, especialmente por que os compostos estão constantemente sendo alterados para contornar a regulamentação e a proibição.

Em entrevista à NBC New York, um usuário disse que depois que as lojas de conveniência foram proibidas de vender a substância ele acabou indo morar na rua. “Eles (fabricantes) possuem caras que andam por aí vendendo porque estão cientes que a polícia está de olho nas lojas”, disse o usuário.

– SERÁ QUE A LEGALIZAÇÃO DA MACONHA PODE EVITAR O USO DESSA DROGA SINTÉTICA?

Educação, prevenção e investigação sobre a droga são naturalmente, parte da solução. Mas os defensores, incluindo Huffmann, o químico que inventou os compostos, acredita que regulamentar a maconha seria reduzir a demanda pela droga química, citando que a maconha natural é muito menos perigosa que o sintético homólogo.

Se mesmo após ler tudo isso acima e você considerar que ainda não há riscos associados ao consumo de ‘maconha sintética’, assista Spice Boys, um trabalho da Vice em que o repórter Ben Ferguson vai a Manchester conhecer usuários que se tornaram dependentes da substância. Assista (se o vídeo não iniciar legendado configure para português):

Com efeitos semelhantes aos da erva natural, porém causando convulsões e danos irreparáveis ao cérebro, a maconha sintética é uma droga perigosa e o risco de perder a vida não vale a brisa. Fica o alerta, informação também é redução de danos.

Artigo publicado originalmente em inglês pela RollingStones. Tradução e adaptação Smoke Buddies. Publicado no Oa com autorização da Smoke Buddies.