Maxi traz a exposição O QUE (eu) VI, de Marília Scarabello

Foi aberta nesta sexta, 17, a exposição do projeto O QUE (eu) VI, da fotógrafa Marília Scarabello, no Maxi Shopping, para uma temporada de pelo menos um mês.

O projeto, desde o ano passado, iniciou uma etapa itinerante de exposição, com o objetivo de percorrer o maior número de espaços públicos/coletivos da cidade e acessar o maior público possível.

“Por se tratar de um trabalho feito para a cidade e fomentado através de um programa municipal (que eu considero vital para os artistas da cidade e para o desenvolvimento de projetos continuados, de pesquisa) , a minha vontade como cidadã é que este projeto seja aproveitado ao máximo antes de ganhar as gavetas e as caixas de algum arquivo- meu ou privado.

Marília lançou recentemente a exposição virtual Invólucro, doze fotografias tentam tornar visível o medo que toda grávida no Brasil sente de contrair doenças transmitidas pelo aedes aegypti, principalmente o Zika virus e agora volta com mais uma etapa da exposição O QUE (eu) VI.

A proposta dela é continuar a interação iniciada com o próprio projeto.

“Visitem, levem seus amigos, parentes. Deixem seu recado. O projeto já acumula centenas de post its, marcados por um desenho político bem claro do que estamos vivendo no Brasil desde o ano passado. O projeto é feito de camadas ainda em construção”, convida Marília.

 

Que ohar é esse do que você já viu?

O olhar do instante. O olhar regido pelo acaso.

 

E onde estava seu foco?

Efetivamente nas pessoas que me encontravam e encontravam os monóculos pelas ruas. E depois nos lugares. No que havia ali naqueles momentos. A troca me interessava.

 

Como é essa interação pessoa-monóculo? Que você pensou?

Entre mim e as pessoas. Entre as pessoas e o objeto. Entre o objeto e o lugar. Na verdade eu não sabia o que ia acontecer quando tive a ideia. Toda vez que arriscamos fazer um trabalho na rua lidamos com o imprevisível. Eu sabia que haveria um monóculo em cada lugar e que haveria uma relação entre este objeto e o espaço onde ele estaria inserido. Mas o trabalho poderia “falhar”, nao acessar as pessoas. Entao eu tinha isso como uma possibilidade.

 

Você deixava o monóculo lá pras pessoas?

Eu pendurava o objeto sempre em algum poste, placa, toldo e ficava por perto. Mas não abordava ninguém. Eu queria que o objeto fosse notado. E aí sim interagir com alguém disposto a parar alguns minutos para observar, de fato ver.

 

Aí você fotografava as pessoas olhando o monóculo? E ia conversar?

Não havia uma regra. Não houve na verdade. Cada pessoa que eu conheci no tempo em que itinerei pelas ruas se relacionou comigo de uma maneira diferente. Foram muitas histórias que o projeto no formato de exposição não revela, e nem quer revelar. Ficou ali. Com quem ali esteve naqueles dias. Mas sim, me interessava a relação das pessoas com o objeto, por isso quase sempre isso está presente nas fotos. Apenas na Rua Anchieta ninguém se aproximou. E por isso, neste grupo de fotografias, o monóculo aparece sempre solitário. Mas de alguma forma até ele foi tocado. Porque eu largava os objetos pela rua, não os tirava. E todos sumiram em poucas horas. Então alguém levou pra casa (risos).

 

E agora? Qual a proposta de levar pro Maxi?

A proposta é acessar um público que não tem costume de ir aos espaços culturais da cidade e aumentar o alcance do projeto. Este trabalho foi fomentado por um programa de incentivo municipal, programa este que eu considero muito importante. Como cidadã, sinto que é minha obrigação devolver este investimento no meu trabalho, deixando ele acessível o máximo que eu puder.

 

Foram feitas todas em Jundiaí?

Sim, é um projeto municipal, feito e pensado para Jundiaí.

 

A exposição vai até quando?

Até dia 19 de Março, de acordo com a página do Shopping, em frente às Lojas Americanas.

 

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