Na reinauguração, Ponte Torta recebe afeto e elogios de moradores

Por José Arnaldo de Oliveira

A reinauguração da Ponte Torta nesse domingo (13), em inédito trabalho de conservação e zeladoria entre a Prefeitura e o Estúdio Sarasá, recebeu muitas manifestações de afeto e elogio por parte de moradores da cidade. Ao evento somou-se também a inauguração da praça Erazê Martinho e do mirante na base da Esplanada do Monte Castelo.

“Uma noite linda que marcou a reinauguração da Ponte Torta revitalizada”, resumiu a arquiteta Priscila Meireles, que também atuou no projeto Urbanismo Caminhável.

Reunindo centenas de pessoas depois que a chuva cessou, o evento contou com apresentações de uma banda pop (Johnny Groove), dois grupos performáticos (Respeitável Público e Éos), uma roda de capoeira (Idalina) e um grupo de Carnaval (Amigos do Samba), além de barracas de alimentação.

Diversos representantes da comunidade, convidados pelo prefeito Pedro Bigardi e pela secretária de Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Camara Sutti, ajudaram a plantar simbolicamente cinco ipês ao lado da praça, como “dona” Nina Cerione, Ignezinha do Pandeiro (rainha do bloco da Ponte Torta), José Dorival Alexandre (Dori), e vários outros, como o ex-vereador Antonio Galdino.

Para Cassiano Simões, a nova praça representa um espaço com potencialidades culturais. “Ganhou uma característica bem acolhedora”, comentou.

As fotografias antigas impressas sobre cerâmica e distribuídas em algumas colunas de tijolos para que os visitantes entendam um pouco da história de 127 anos desse agora monumento também foram bem recebidas.

“É um resultado lindo”, comentou a fotógrafa Adriana Zutini.

Diversos educadores da rede municipal ou de escolas particulares, também presentes ao evento, observaram que a Ponte Torta já aparece entre os destaques na atual tendência de valorização do patrimônio da cidade que ocorre no setor da educação.

O presidente do Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, Flávio Buzanelli Júnior, destacou que havia uma grande expectativa, agora confirmada para ser um lugar “muito especial de nossa cidade. Por coincidência, o evento coincidiu com uma nova pintura também nessa outra centenária instituição da cidade.

Para o arquiteto Eduardo Carlos Pereira, uma reversão da tendência destrutiva que uma parte de Jundiaí sempre teve em relação ao seu patrimônio histórico pode estar no horizonte. “Nesse caso, muitos dos seus 50 mil tijolos foram reformados ou substituídos. Existe também um trabalho na antiga torre da Cica, que vem sendo revitalizada até nos relógios. Mas ainda temos muito a avançar”, afirma.

A coordenadora Gisela Vieira, do bloco Refogado do Sandi (fundado por Erazê Martinho, homenageado da nova praça) chama a atenção para o fato de que, pela primeira vez, um samba recebe em Jundiaí o nome de “Cultura Imaterial”, traduzindo de forma musical a importância do valor do patrimônio (físico ou social) para a vida da cidade. Para ela, muito do que está acontecendo recebeu impulso com os trabalhos de resgate da Ponte Torta.