Num disse que faltava combinar com os russos? É o Carnaval de novo

Estava mais do que na cara que a confusão do Carnaval ainda não tinha sido resolvida. E a folia nem começou.

Depois daquela reunião onde a Polícia Militar e as autoridades municipais e estaduais como que reeditaram a Lei do Silêncio baixando o horário limite de 22 horas para 19h30, proibiram crianças menos de cinco anos de desfilar e ainda por cima determinaram que bebidas alcoólicas deveriam ser vendidas em copos vermelhos — refrigerante e suco nos copos brancos — só podia dar nisso mesmo.

Parece brincadeira. Mas não é. Pra muita gente Carnaval é coisa séria. E a forma rígida como as autoridades trataram o assunto dava mostras de que alguma coisa não tão engraçada iria acontecer.

Esta semana os blocos divulgaram uma carta-manifesto de sete páginas, que mais parece um projeto-de-lei a ser enviado à Câmara dos Deputados ou alguma dessas petições muito comuns na língua dos advogados, tamanho o monte de palavras e tal e coisa e coisa e tal. Pulei logo pro fim dos muitos considerandos e resumo o que foi dito: eles não concordam com as regras e estão dispostos a peitar a Prefeitura e as autoridades constituídas.

“Assim, diante dos argumentos expostos, os abaixo assinados solicitam que o respeito aos princípios constitucionais, acima citados, prevaleçam e que as manifestações carnavalescas de Jundiaí ocorram sem a interferência indevida dos Poder Público, em particular das Forças de Segurança do Estado de São Paulo. E como consequência dessa não interferência, solicitamos que os blocos que protocolaram as suas programações no prazo pré – estabelecido por esse governo, possam prosseguir com suas programações de manifestações culturais pacificamente, como já anteriormente combinados”.

Numa entrevista que fiz com prefeito Luiz Fernando Machado, semana passada, ele por sua vez disse que não podia desrespeitar a lei e nem privilegiar esse ou aquele bloco. Afirmou que não havia recebido qualquer reclamação dos presidentes das escolas de samba e mandou um recado aos blocos, criticando os eventos particulares que geram lucro sem uma contrapartida para o município.

“Quando um evento é lucrativo, o organizador deve pagar pelos seus custos. Não é justo que a prefeitura pague hora extra dos guardas municipais, dos agentes de trânsito, da coleta de lixo para um evento particular. A responsabilidade deve ser compartilhada”.

Para a proibição dos blocos na Avenida Nove de Julho e as regras criadas para o carnaval, Luiz Fernando também usou a responsabilidade como resposta.

“Se é um evento não oficial, como uma manifestação por exemplo, a Prefeitura não tem responsabilidade. Mas se é um evento que pede autorização da Prefeitura, aí também somos responsáveis pelo que vai acontecer lá, por isso precisamos estabelecer regras e respeitar o que diz a lei”.

Neste sábado, 4, foi a fez do fundador do bloco Chupa que É de Uva, o apresentador de televisão Val Junior, usar as redes sociais para rebater a argumentação do prefeito e explicar sua posição a respeito da proibição de desfilar na avenida 9 de Julho.

Segundo a nota divulgada,  o Chupa que é de Uva, foi proibido, incialmente, de sair no seu percurso original, que é a Rua do Retiro.

“Então solicitamos as autoridades a avenida 9 de Julho, local mais próximo ao “nosso ninho” o bairro Parque do Colégio. Pedimos a 9 principalmente por motivo de segurança, já que é mais larga. Seria mais confortável para os “foliões”.

O fundador do Chupa que é de Uva disse que tanto no roteiro da Rua do Retiro quando da avenida 9 de Julho, a maior preocupação das autoridades se dá principalmente por causa da dispersão, no final.

“Concordamos com as novas regras impostas pela Policia Militar e a Prefeitura de encerramos o nosso bloco ás 19h30, pararemos a música e retiraremos o caminhão de som da via. Claro contando também com a logística e o apoio da Setransp e da Policia. A liberação é lenta sim, mas acreditamos que até as 21 horas já tenha acontecido e o trânsito se normalize”.

A Prefeitura e a PM, sugeriu, segundo a nota, que o Bloco saia no final da avenida Luiz Latorre, um local, sem residências, sem bar, restaurante, sem estrutura para um público formado na sua maioria por famílias com crianças e e tbem por pessoas idosas. No mesmo local onde, no ano passado, foi realizado o desfile das Escolas de Samba.

“A impressão que se dá é que querem esconder o bloco num local com mato de dois metros de altura ao lado, rio poluído e que termina próximo ao pontilhão que leva parar UNIP. Onde não há nada, assim não haverá reclamações e consequentemente nem trabalho para a prefeitura e a policia. Fica mais fácil proibir do que colaborar, apoiar por três horas este grande evento que nós preparamos e trabalhamos por meses”.

O Chuva que é de Uva espera que as autoridades encontrem outras alternativas. Afinal de contas, se tantos outros protestos e marchas são realizados na 9 de Julho qual a razão de não desfilar ali o maior bloco da cidade?

“Esperamos que estas proibições sejam revistas. Torcemos pelo apoio do nosso novo Prefeito e das autoridades para que dê estrutura e segurança para o Chupa sair pelo sexto ano consecutivo no nosso próprio bairro”.

O Chupa que é de Uva e outros blocos, no entanto, precisam responder ao questionamento do prefeito. Afinal de contas, o bloco gera lucro pra alguém? E se gera, vai dar uma contrapartida para o município? De que forma?

“Sei de blocos que estão vendendo abadás. Eu não sou contra. Até apoio”, disse Luiz Fernando, para cobrar em seguida a co-responsabilidade dos organizadores e uma contrapartida para o município.

“Depois que o evento acontece, fica para a cidade da responsabilidade de limpar as ruas, consertar o que foi quebrado”.

O bloco Carne com Queijo, por exemplo, preferiu seguir por outro caminho. Decidiu não sair mais na avenida Samuel Martins e vai usar as ruas do bairro da Vila Progresso. Disse que não precisa de qualquer apoio financeiro das autoridades municipais e pediu apenas policiamento e serviço de trânsito e serviços públicos para que possa realizar sua festa.

Ou seja, mesmo divulgando um manifesto conjunto, cada bloco tem seu tipo de pensamento e atitude. Cada um com seu local e público.

Enfim, o assunto ainda está longe de acabar.

Protestar pode?

Na foto de abertura, passeata de protesto contra o governo Dilma Rousseff realizado na avenida 9 de Julho, em 13 de março de 2016

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3 comments

  1. Joaquim Camargo

    Falta combinar com o resto da cidade. Ao contrário de outros, eu odeio carnaval. E não sou obrigado a ficar ilhado onde moro porque o Val Junior se acha acima de todos e não aceita outras opções.

  2. Renato Caranzzatti

    A corda está no pescoço de quem trabalha, paga impostos, e não tem sossego na própria cidade, porque um bando de marmanjos exige fazer a festinha deles no meio da cidade, cagando e andando pra quem é prejudicado.

  3. Pedro Henrique Soares

    Val Junior, o desfile do seu bloco só serve para sujar a cidade, com foliões urinando tudo por onde passam, deixando garrafas espalhadas pra todos os lados, bagunçando a rotina de quem tem comércio e contas pra pagar. Se você faz tanta questão assim, arrume uma boa grana pra indenizar todos os cidadãos que sofrem com isso e alugue o centro só pra você. Abraços.