O denso som de Felipe Antunes mexe com a alma

Flavio Gut

Encontrei o compositor Paulo Silva logo na saída do show de lançamento do CD Lâmina de Felipe Antunes, no Teatro do Sesc quinta feira passada. Nas palavras dele resumi meu próprio sentimento: “denso”.

Em seu primeiro trabalho solo fora da banda Vitrola Sintética, Antunes explora um universo de canções aparentemente comuns. Mas apenas aparentemente.

Não há concessões pro óbvio.

“Eu resolvi gravar em fita cassete o show. Acho interessante aquela fita tão fininha conseguir gravar um som nela”, me falou numa entrevista pouco antes do show, que teve a participação especial de Ná Ozzetti.

Fita cassete. Pois é.

Ná Ozzetti parece mesmo o elo de ligação entre o jovem compositor e uma das fases mais criativas e instigantes da música popular brasileira, quando os show do teatro Lyra Paulistana revelevam a fina flor de uma nova musicalidade.

Gente como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e os grupos Rumo, Premeditando o Breque, entre tantos outros traziam um ar renovado para a música da Paulicéia.

Ná Ozzetti participava então do Grupo Rumo. E seguiu pelo caminho da música experimental-criativa aperfeiçoando seu jeito de cantar.

“Ná tem uma luz”, diz Antunes.

Ozzetti é mais uma da tribo dos neo-jundiaienses. Vive nas cercanias da Serra do Japi há 16 anos. “Adoro”, resume ela.

Sua participação do show traz ainda mais o ar de estranhamento que beira o desconforto. Aquele som que pareceria soar de um jeito vai pra outro caminho. E assim uma nova sonoridade aparece.

Ná Ozzetti, aliás, também tem uma participação especial no CD Encantos de Trindade do jundiaiense Paulo Silva. Um trabalho que merece ser conhecido.

Mas voltando ao som de Felipe Antunes, no palco aparee até uma rabeca antiga feita pelo avô dele. A voz da avó dele também aparece na gravação de uma singela canção que abre o show.

Luzes refletidas em espelhos criam um clima meio noir. Muito bonito.

No palco, ele é acompanhado por Meno del Picchia (baixo), Marcelo Castilha (piano), Kezo Nogueira (bateria) e Leonardo Mendes (violões e guitarra).

Um time muito bom.

Antes do show falei com Felipe e Ná Ozzetti. Assista ao video com a entrevista e partes do show.

Sobre “Lâmina”

Gravado no estúdio Submarino Fantástico, em São Paulo, entre junho de 2015 e março de 2016, “Lâmina” apresenta 12 canções inéditas do músico paulistano, que no ano passado foi indicado, junto com o Vitrola, ao Grammy Latino de 2015 nas categorias Melhor Artista Novo e Melhor Engenharia de Som.

Sobre Felipe Antunes

Felipe Antunes, 33, é músico, compositor e vocalista da banda Vitrola Sintética.

Duas canções de autoria de Felipe Antunes foram destaques em 2015. O prêmio Melhores da Música Brasileira elegeu “Sintético” o 34º melhor álbum de 2015 e a canção “Faz Um Tempo, a 2ª melhor do ano; o programa “Ouve Essa”, apresentado pelo crítico Ricardo Alexandre na Rádio 89FM, escolheu a música “Duvido Não Depois” como a 2ª melhor canção nacional do ano passado.

Foto by Tati Silverstone

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