A Suécia começou no ano passado uma nova revolução social, com a introdução da chamada “Sociedade B” –uma sociedade que leva em conta os diferentes ritmos biológicos dos indivíduos para introduzir horários alternativos de funcionamento para escolas, locais de trabalho, universidades e organizações.

Pode ser uma ótima alternativa quando a cidade discute soluções para o problema da mobilidade. Um pensamento como esse poderia muito bem fazer parte de um futuro plano local de mobilidade e qualidade. E ainda faria parte da política de inclusão social — inclusão dos que tem um ritmo diferente da maioria.

A primeira instituição sueca a implementar o esquema foi uma escola secundária de Gotemburgo, que oferece turnos opcionais entre 20h e 8h.

“Por que precisamos trabalhar todos no mesmo horário e enfrentar os mesmos engarrafamentos?”, pergunta o manifesto do movimento B-Samfundet (“Sociedade B”).

“Por que temos de correr ao mesmo tempo para pegar as crianças na escola antes que elas fechem? Por que tudo tem de funcionar nos mesmos ritmos e horários se isso causa problemas gigantescos na infra-estrutura da sociedade?”

O B-Samfundet tem origem na Dinamarca, onde foi criado em 2011. A Sociedade B está sendo introduzida na Noruega e na Finlândia, e também no Reino Unido.

A Sociedade B se baseia em pesquisas científicas que indicam que cada indivíduo tem seu próprio ritmo biológico, uma espécie de “relógio interno” que é geneticamente determinado.

Segundo essas pesquisas, uma “pessoa B” possui um ritmo interno de 25 a 27 horas, enquanto o de uma “pessoa A” tem um ciclo de 23 horas. As “pessoas B” são mais produtivas no final do dia e têm dificuldades de despertar de manhã cedo, que é quando as “pessoas A” são mais ativas.

Segundo os criadores, esse é um movimento contra a tirania do despertador, que ao mesmo tempo se encaixa no debate sobre a criação de uma sociedade de horários mais flexíveis, com maior equilíbrio entre trabalho e lazer –e melhor qualidade de vida.

“Nosso objetivo é acabar com as rígidas disciplinas de horário da sociedade industrial, em que todos chegam ao mesmo tempo e saem na mesma hora”, disse em entrevista à BBC Brasil Erika Augustinsson, vice-presidente do B-Samfundet.

“Vivemos em uma nova sociedade e queremos criar um novo jeito de viver, que respeite também os diferentes ritmos internos das pessoas”, acrescentou.

Escolas

Erika destaca que esses diferentes ritmos biológicos também são uma realidade nas escolas, onde um grande número de crianças e adolescentes tem dificuldades de concentração pela manhã.

Ou seja, esses alunos não têm exatamente preguiça de levantar para ir à escola –eles são apenas “pessoas B”.

Na escola Vasa Lärcentrum, na cidade de Gotemburgo, o turno da tarde/noite está sendo introduzido depois de uma pesquisa realizada com os 150 alunos da instituição.

“A pesquisa mostrou que muitos estudantes consideraram a idéia bastante positiva”, contou à BBC Brasil Ingela Welther, gerente de planejamento do Departamento de Educação do governo de Gotemburgo.

Segundo ela, a extensão do horário de funcionamento da Vasa Lärcentrum é uma experiência inicial que poderá ser levada às outras escolas da rede pública.

“O objetivo é fornecer alternativas que ajudem os alunos a lidar melhor com seus estudos e a completar sua educação com êxito.”

Ingela Welther destacou ainda que a introdução do cronograma alternativo possibilita também o melhor aproveitamento das instalações da escola, que poderá absorver mais alunos.

Com informações da BBC Brasil

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