Samba cria federação e dá o recado: “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”

O que estava faltando para o mundo do samba se unir em uma federação nacional era justamente a adesão das escolas de samba cariocas. E o empurrão que faltava veio, vejam só, do bispo (licenciado) da Igreja Universal e prefeito Marcelo Crivella, que cortou pela metade a verba destinadas aos desfiles do ano que vem. Crivella não só criou o a (anti) clima necessário para unir as escolas mas também jogou gasolina na criatividade do povo da tradicional escola de samba Estação Primeira de Mangueira, que preparou um samba com endereço certo e grande chance de incendiar as arquibancadas. Um samba que resume, talvez, o sentimento das escolas do Rio, mas não apenas. É um grito de liberdade que vai ecoar Brasil afora -- Jundiaí incluído, já que a cidade não teve desfile de Carnaval este ano e não se tem notícia se haverá qualquer coisa no ano que vem.
Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal Pecado é não brincar o Carnaval! Eu sou Mangueira meu senhor, sou Universal Pecado é não brincar o Carnaval!
No último dia 30 de setembro, uma assembleia com representantes das diversas regiões do país criou de fato a nova Federação Nacional das Escolas de Samba. É só o começo de um movimento que vai ganhando força diante da intolerância. E um jundiaiense foi empossado como diretor da nova federação - William Roberto Soares Paixão, ativista e estudioso do setor e atual diretor de patrimônio histórico da cidade.  "Muitos políticos no país, desde as cidades até os estados ou mesmo na esfera federal, desconhecem dados mais profundos sobre as dimensões do setor das escolas de samba. A federação nacional pode ajudar muito nesses esclarecimentos", afirma William.  O objetivo da Fenasamba é lutar por políticas públicas de defesa do carnaval e das escolas de samba e criar um canal institucional para encaminhamento coletivo ao governo federal e aos governos estaduais e municipais as reivindicações desse setor histórico da cultura brasileira. Fenasamba Reunidos em Assembleia Geral, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, representantes de 53 Ligas e Associações de Escolas de Samba de dez estados do país que representam, em conjunto, 616 escolas de samba e entidades carnavalescas, aprovaram os Estatutos da Federação Nacional das Escolas de Samba – Fenasamba fundada em 15 de julho de 2017, no Rio de Janeiro, e elegeram a sua primeira Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal, para o triênio 2017/2020. Segundo manifesto divulgado pela direção, a Fenasamba surge como uma reação das escolas de samba de todo país aos reflexos da crise econômica sobre o carnaval, com o cancelamento dos desfiles das escolas de samba em mais de 300 municípios, em 2017, "sob o falacioso argumento dos gestores municipais e estaduais de que, com a crise, devem priorizar a saúde, a educação e a segurança". Outro motivo alegado foi o anunciado corte de recursos públicos para os desfiles de 2018 no Rio de Janeiro, tanto do Grupo Especial, do Grupo de Acesso, quanto o das escolas de samba que desfilam na Intendente Magalhães, e o crescimento de uma onda conservadora e fundamentalista que coloca as escolas de samba como “coisas do demônio”. Segundo o texto, a Fenasamba é um instrumento de luta e defesa das escolas de samba e do Carnaval, legítima expressão de nossa cultura popular e nasce com o compromisso de lutar para que o Poder Público, diante da grave situação que ora se apresenta, reconheça que a cadeia produtiva do carnaval representa uma importante oportunidade de se continuar impulsionando a geração de riqueza, emprego e renda em nosso País, com a criação e implementação de políticas públicas que viabilizem essas atividades, bem como a aprovação de legislação específica que estimule seu desenvolvimento, por se tratar de uma manifestação genuinamente brasileira, de relevante dimensão econômica e cultural. Para subsidiar suas atividades, a Fenasamba criou uma Diretoria de Pesquisa & Desenvolvimento, que será dirigida pelo pesquisador Luiz Carlos Prestes Filho, voltada para pesquisas e estudos relacionados à cadeia produtiva do Carnaval e da economia criativa. A federação organizada em vice-presidências regionais, pretende tratar o Carnaval e os desfiles das escolas de samba de forma coletiva, estreitando suas relações com as entidades do interior do país e dos diferentes estados brasileiros, que são os que mais sofrem as consequências da crise econômica. "Nosso compromisso maior é com a luta pelo estabelecimento de políticas públicas permanentes para as escolas de samba e o Carnaval, que entendam a sua importância econômica e cultural, e as tornem menos dependentes das vontades de governos estaduais e municipais. E de construirmos, juntos com governos e representantes da iniciativa privada, um novo modelo de financiamento para o desfile das escolas de samba". Saiba mais: http://fenasamba.com.br/ William Paixão lembra que o carnaval brasileiro é considerado no mundo todo como o “maior espetáculo da Terra” e não é para menos, não só pela sua dimensão e alcance, mas também pelo seu efeito financeiro na vida de milhões de pessoas que vivem e se mantém em função da sua realização. "Só no Rio de Janeiro, durante o período de carnaval, a média de ocupação nos hotéis é de 90% com a vinda de mais de 1 milhão de turistas gerando uma movimentação financeira em torno de 3 bilhões de reais. Esses números proporcionalmente se repetem nas cidades (capitais ou não) que enxergam na realização dos desfiles de Escola de Samba (na época ou fora dela) um produto importante na geração de fluxos turísticos", explica o diretor da Fenasamba.