Sem desfile oficial, Jundiaí vence no Carnaval de São Paulo

Com o tema “Vim, Vi e Venci – a saga artística de um semideus”, que foi o enredo da escola de samba X9, o artista plástico Inos Corradin teve aos 87 anos a sensação ser o protagonista de uma conquista de título do Carnaval de São Paulo. E levou junto com ele uma grande legião de jundiaienses, que desfilaram na madrugada de segunda-feira (27) com a tradicional agremiação da Parada Inglesa, na zona norte da capital. Italiano da região do Piemonte, ele foi estafeta (mensageiro) das forças patriotas contra o nazifascismo com apenas 15 anos de idade. Dois anos depois, em 1947, já estava colaborando com o pintor Pendini em um mural de homenagem aos mártires da resistência italiana. E com apenas 20 anos de idade já estava se estabelecendo em Jundiaí. Logo estava participando de grupos na capital, onde expôs na 2ª Semana de Arte Modernista, e em 1953 chega na Bahia para participar de outro grupo, que tinha entre os participantes Carybé, Pancetti, Mário Cravo e Dorival Caymmi. Em 1954, é convidado para a equipe de cenógrafos para dança e teatro do IV Centenário de São Paulo. Além de começar uma carreira internacional, segue com projetos diferenciados como a abertura de uma pequena fábrica de brinquedos em Ibiúna, no ano de 1957, onde conhece e casa-se com Maria Helena Rolim Carmelo – com quem teve três filhos. São centenas de passagens curiosas de vida, contadas em entrevistas e livros como “Dieci Anni di Mostra in Europa”, publicado em 1986 pela Editora de Arte Surian, de Bréscia, e um documentário próprio em 2008 chamado simplesmente “Inos”. Também desde esse ano conta com o apoio administrativo de Sandra Carnio, uma das principais articuladoras da homenagem feita pela X9 e que levou a escola de volta ao Grupo Especial, depois de ter seguido para o Grupo de Acesso em 2016, desta vez como campeã incontestável. Outro colaborador da iniciativa foi William Paixão, atual diretor de patrimônio na Prefeitura. Com uma disciplina diária de criação, Inos sempre foi bastante franco em suas opiniões e lamenta a velhice, mas nunca a vida. Foi uma referência intelectual sobre cultura, mundo, política e arte para várias gerações em Jundiaí e brilhou em uma cidade que é um verdadeiro celeiro de artistas. Entre outras coisas, tem uma forte colaboração com algumas entidades assistenciais. Atento às falsificações, lançou há alguns anos uma campanha para consolidar a autoria em suas gravuras. Na cidade, uma grande tela sua chamada “Tributo à Serra do Japi” ocupa um lugar especial na Estação Rodoviária. Um pouco de sua personalidade foi indicada em seu comentário para o portal Jundiaqui. Ouvido por Edu Cerioni, ele disse: “Eu sou um número, a X9 toda é que brilhou. São muitas pessoas envolvidas e todas elas tem seu valor” e aproveitou também para enviar uma mensagem ao colunista e carnavalesco em recuperação Picoco Bárbaro, alvo de diversas homenagens solidárias ao longo de todo o Carnaval de Jundiaí, que neste ano não teve o desfile oficial das escolas. Em compensação, os jundiaienses invadiram o Anhembi e voltaram com o título de campeões do Grupo de Acesso com a X9. Veja um pedaço da letra do samba-enredo: Visionário aclamado Rompeu fronteiras, com seu talento. Em busca da paz, cumpriu a missão, Se deixou levar por uma paixão No sopro divinal, se torna um ser natural. O meu Brasil te consagrou e Jundiaí te abraçou. Foi tão brilhante pra quem viu. O mundo aplaudiu. Na tela está a imaginação. A escola desfila novamente na sexta-feira (3).