Setor imobiliário pede novas regras para crescimento urbano

Com uma participação ampla de representantes de construtoras e corretores, a reunião setorial do Plano Diretor Participativo sobre a chamada “produção de cidade” apontou a necessidade de novas regras para o uso do solo em bairros centrais ou periféricos. Isso para evitar os conflitos de vizinhança entre as moradias térreas e os prédios verticais, contribuindo ainda para espaços públicos que colaborem com a segurança coletiva pelo convívio de moradores e o combate ao processo de “guetos” diferenciados entre as diversas classes sociais.

Realizada na tarde de quarta-feira (6), a reunião foi descrita como um momento de contato pela secretária do Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Camara Sutti, reforçando as leituras preparatórias para o diagnóstico que será apresentado no 1º Fórum do Plano Diretor Participativo, no sábado (30).

O custo da terra em Jundiaí, que acaba levando muitos empreendimentos para bairros periféricos, precisa ser visto dentro da fórmula de novas normas para o crescimento da cidade. A maioria dos participantes já promove esse debate em entidades como a Associação de Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário (Proempi) e trouxe críticas, como o uso de vias coletoras ou locais para as regras atuais, em vez de áreas como quarteirões ou trechos de bairros adequados. Também sugeriram um olhar diferenciado sobre as condições para bairros mais antigos, com lotes menores, e áreas mais novas.

Também foi apontado o grande número de projetos protocolados em 2012, antes da vigência de novas normas, como um fator de desigualdade financeira entre imóveis detidos pelos diversos empreendedores do setor.

“A terra urbana foi construída por muitas gerações. Temos de entender isso como a terra onde estão a rede de água, os cabos óticos, a rede de eletricidade, as linhas de ônibus e todo o restante da infraestrutura que a forma. Esses são os sistemas urbanos, que formatam a cidade ao lado dos sistemas ambientais”, afirmou o diretor técnico do Plano, o especialista Anderson Kazuo Nakano.

De acordo com o cenário do encontro, a compra de imóveis como investimento teve seu auge no “boom” imobiliário entre 2007 e 2010, mas há algum tempo o mercado é alimentado pela demanda de moradias e o problema é a limitação para viabilizar a faixa das classes C, D e E, que dependem de crédito ou subsídios.

Como a demanda geral envolve também a segurança, um dos outros pontos de debate acabou sendo a necessidade de evitar que longos muros aumentem ainda mais o problema e que novas soluções de menos impacto beneficiem a cidade e seus bairros.

As análises do setor são importantes porque o Plano Diretor vai ser afinado também com o Plano Municipal de Habitação, voltado principalmente para a inclusão do direito à moradia e a criação de Zonas de Interesse Social (ZEIS) que estimulem a distribuição das diversas faixas de renda no município.