Trabalho é destaque no Solar do Barão. Museu quer 100 mil visitantes por ano

O trabalho, esse valor tão desvalorizado na cultura do privilégio, está em alta no Solar do Barão. A sede do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, no Largo da Matriz, apresenta uma bonita exposição sobre o assunto.

Uma das surpresas está nas poltronas que lembram antigos cinemas de rua para quem parar por alguns minutos para assistir a três raros curtas-metragens das décadas de 1950 a 1970 sobre atividades como o trabalho dos agricultores e dos ferroviários.

Os filmes foram feitos em técnicas também trabalhosas chamadas Super 8, por pessoas como Hilário Caniato, e as poltronas eram do Sindicato dos Ferroviários.

A mostra parece ter sido feita dessa maneira, em cooperação. Também estão presentes documentos de autorização judicial para trabalhadores a partir de 12 anos de idade, coisa comum até a década de 1960. Estão presentes caixinhas de fósforo feitas Latorre, instrumentos produzidos em forjarias para a Companhia Paulista, equipamentos usados nos parreirais da Terra da Uva.

Em meio a tudo, frases lembrando que as empreiteiras que abriram as linhas de trem podem ter usado trabalho escravo no século XIX, que mulheres buscaram o direito ao trabalho nas fábricas têxteis como a Argos (com a conquista das primeiras creches e paradas de amamentação) e ainda peças soltas como a roca de fiar algodão ou o ferro de passar a carvão.

Até mesmo um elegante chapéu de palha está no trajeto, lembrando sem palavras que, assim como cadeiras, telhas, tijolos ou roupas, tiveram quem os produzisse na cidade. Outros objetos, como uma cestaria artesanal ou uma máquina de escrever, também “decoram” o roteiro.

O trabalho da memória também é valorizado com detalhes sobre as profissões do arquivista, do arqueólogo e do historiador. Antes do final também há dicas sobre conservação de acervos.

Com economia de legendas escritas, a visita estimula uma conversa entre gerações. A socióloga Creusa Claudino afirma que essa mediação é comprovada, por razões diferentes, já foi comprovada anteriormente em atividades tanto com escolares como com idosos.

O diretor de museus da Unidade de Gestão da Cultura, Paulo Vicentini, afirma que a cooperação que marcou a mostra é um dos objetivos deste ano. “Precisamos recuperar o tempo perdido. A meta inicial é atingirmos 100 mil visitas por ano”, aposta ele.

O outro ingrediente para esse plano está nos jardins, que formam uma grande praça renovada em pleno Centro Histórico e agora contam com uma entrada externa diretamente aberta para o calçadão da rua Barão de Jundiaí. De acordo com o arquiteto e pesquisador Roberto Franco Bueno o tamanho dessa área corresponde ao uso para guarda dos antigos veículos movidos a animais como os tilburis.

O número de visitantes, de acordo com o monitoramento do museu, aumentou significativamente nos dias posteriores à sua reabertura. E as parcerias que viabilizaram os custos dessa reforma dos jardins, estimados em R$ 80 mil para plantas, pérgolas e paisagismo, mostraram uma saída para a crise financeira da Prefeitura de Jundiaí que agora busca outros casos do tipo, como no Centro das Artes.

A exposição apresenta pinceladas também da luta dos trabalhadores contra as injustiças de etnia, de gênero ou de classe junto com a trajetória industrial e agrícola de empresas e empreendedores.

O Solar do Barão, como outras unidades do departamento de museus (além do Museu Histórico e Cultural, também o Museu da Companhia Paulista, no Complexo Fepasa, e a Pinacoteca Municipal, em frente ao Escadão), está abrindo também em horário ampliado aos sábados, domingos e feriados das 9 às 16 horas. 

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