Trio continua deixando o público em transe

Por José Arnaldo de Oliveira

Existe algo como química musical entre integrantes de uma banda que sempre transpareceu no caso do Trio em Transe, grupo de Jundiaí que apesar do nome já teve formações com quatro, cinco ou mais componentes. Mas o “revival” do trio original de fundadores que aconteceu na quinta (8) no restaurante Koh Samui e depois na sexta (16) no Estrela da Ponte rompe todas as definições conhecidas para o fenômeno.

A estrada fez bem para esses músicos ao longo de 27 anos. O vocalista e violonista Tom Nando, que se tornou também chef, está com a voz e o violão afinados para a festa. O baterista Daniel Busanelli, que também é produtor de eventos, virou uma espécie de monstro da percussão e do ritmo. E o violonista Claudinei “Sete Cordas” Duran, que também é professor, atingiu um altíssimo nível de melodias e de solos.

O tal transe do nome vem da maneira como tratam um repertório que atinge fases de auge da música brasileira de nomes como Gilberto Gil, A Cor do Som, Amelinha, Caetano Veloso, Olodum, Apaches do Tororó, Elis Regina e também músicas próprias, entre outros. O efeito é quase elétrico, fazendo as pessoas dançarem ou se balançarem a cada canção.

Essa situação sempre ocorreu ao longo da trajetória da banda, que esteve em discos como o chamado Trio em Transe e Um Boiando e coletâneas ou em DVDs como o Ver o Futuro, incluindo outros grandes músicos como o trompetista e baixista Iramy Piola ou o guitarrista Fernando Gambini.

Mas a situação é muito especial com essa formação original de Nando, Daniel e Claudinei. É o mesmo grupo que arrastava fãs para o bar Ilustrada, em Campinas, para os shows ao ar livre na área da Algodão Brasil, em Jundiaí, ou em ônibus fretado para um festival de música, em Serra Negra. Só que todos estão ainda melhores.

A ligação de cada um deles com movimentos da cidade em áreas tão variadas como a música popular, o samba, os corais, o carnaval, a cidadania ou a ecologia faz parte de uma história cultural que lembra que também a MPB, como ocorreu com o rock ou o rap, possui uma longa trajetória de cenário independente em Jundiaí. E isso falando apenas dentro do campo da música, havendo ainda os demais campos como teatro, quadrinhos, artes visuais, cinema ou literatura, para ficar em alguns.

Alguns espectadores desses shows recentes chegam a comparar essa formação com os famosos “power trios” do rock como, por exemplo, o Nirvana. Pode-se pedir menos transe, pois estamos falando de MPB. Porém o mais importante é rever a qualidade do trio e, para os fãs, torcer por novas oportunidades de vivenciar essa magia. 

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