Uma menina chamada Maria Luiza, a Malu, atrai a atenção de seus coleguinhas na sala de aula.

Malu é cega e tem de caminhar com a ajuda de uma bengala. Nem por isso é uma menina infeliz. Ela está contente em seu primeiro dia na nova escola, sob o olhar atento e curioso de todos, que não entendem como ela consegue ler mesmo não enxergando.

A professora, de olho na conversa dos alunos, tem uma ideia: a partir do caso de Malu, explica a todos como a nova aluna fazia para ler e “ver” os outros.

Pede a cada um que, com um pedaço de pano, cubra os olhos e toque em outros colegas, para ver se eles conseguem descobrir quem é quem na sala de aula. A atividade foi um sucesso e Malu, compreendida por todos.

Em uma das histórias de “Aprendendo com as Diferenças”, livro da educadora Kelli Cristina Candido de Lima, que exemplifica a necessidade de inclusão de crianças com deficiência – seja ela física ou mental – nas salas de aula.

Kelli, hoje uma professora de apoio à educação inclusiva da Rede Municipal de Ensino, se diz realizada com o resultado do livro, seu primeiro, justamente voltado para outros professores.

A história de Malu é um dos exemplos de como utilizar uma determinada atividade para incluir um aluno cego.

Há outros, em um livro cheio de cores, com muitas imagens e dentro do clima que Kelli deseja passar. As ilustrações são de André Gambini da Silva.

“Ele desenhou os personagens da forma que eu imaginava”.

“Estive na última Bienal e meu livro foi elogiado por outros professores”, ela conta.

Sua obra se divide em histórias reais e ficcionais, casos com os quais Kelli se deparou no dia a dia, de porta em porta, de escola em escola. Os nomes dos verdadeiros alunos foram mudados.

E um toque literário – uma boa e necessária “cereja no bolo” – foi acrescentado.

Uma forma que vem desenvolvendo para levar as histórias de seu livro à sala de aula é a utilização de bonecos – os mesmos personagens de “Aprendendo com as Diferenças”.

A intenção é que as crianças entendem a necessidade de inclusão com a junção das histórias e dos bonecos.

“Hoje, temos cerca de cinco ou seis crianças com deficiência por escola”, explica a professora, além de lembrar que essas crianças são encaminhadas a instituições da cidade especializadas em lidar com certos casos de deficiência.

“O livro mostra como deve ser o acolhimento com a criança, como a escola deve recebê-la”, diz a escritora, que é mãe e que já prepara novas histórias para um segundo volume.