Veja o samba do Refogado do Sandi, que abre (oficialmente) o Carnaval

Nesta sexta-feira (24) o tradicional bloco Refogado do Sandi se concentra às 15 horas na praça Rui Barbosa e percorre a partir das 16 horas a rua Barão de Jundiaí, a rua da Imprensa e a rua do Rosário.

Trata-se de um movimento reconhecido como patrimônio cultural imaterial da cidade e tem um tema composto especialmente para este ano para ser tocado várias vezes pela banda Amigos do Samba entre as marchinhas que formam seu repertório.

Conheça.

FAMÍLIA REFOGADO Wandão/Edu Cerioni/Claudinei Duran

“A minha mãe tá de brincadeira, saiu no Refogado chupando mamadeira
E o meu velho ficou alucinado, foi pro Refogado na mó pinta de viado
Êta dupla genial, vai fazer de novo um sucesso infernal
Nessa balada eu quero viver, vou pro Refogado até o dia amanhecer!
O meu irmão arrumou uma namorada, êta gata linda, motivo de porrada
A minha irmã tirou a aliança, nesse Refogado até meu cunhado dança
Êta dupla animal, vai sair de novo nas fotos do Pardal
Nessa Balada eu quero viver, vou pro Refogado até o dia amanhecer!
Minha vó escolheu fralda florida, pra no Refogado se sentir a margarida
E o vovô escovou a dentadura, diz que nesse ano até a Claudinha segura
Êta dupla sem igual, é mais velha até que o próprio Cabral
Nessa Balada eu quero viver, vou pro Refogado até o dia amanhecer!
E eu? Tô dentro, tô fora, do Refogado nunca mais eu vou embora…”

O bloco Refogado do Sandi foi criado em 1994 com o objetivo de resgatar o carnaval sem cordão de isolamento, sem regras e sem regimentos como lembra a primeira rainha do bloco, Ana Regina Borges Silva.

Seu nome, segundo uma das colaboradoras de sua criação (ao lado de Erazê Martinho, Carla Scarparo e Beth Giassetti), remete aos cheiros e aromas que vinham da cozinha do bar Sandi, na rua Pirapora, que era das proprietárias Sandra e Diva.

Muitos apontam no espírito original do bloco uma ligação com a irreverência do bloco Estamos na Nossa e também da Banda da Ponte, formados no bairro da Ponte São João nas décadas de 1970 e 1980.

A própria colaboradora Carmem Nogueira reconhece que a dissolução dos blocos de rua em torno de 1990 deixou Erazê inconformado. Mas a diretora desde 2007, Gisela Vieira, lembra que o Refogado não é bairrista e exatamente por ter seu foco no Centro Histórico de Jundiaí, onde ocorreu a maior parte da história carnavalesca em Jundiaí (e sua ligações com os batuques em Pirapora), torna-se um patrimônio de todos.

Prestes a chegar aos seus 25 anos de atividade, o Refogado do Sandi saiu em sua primeira edição com um samba de Erazê e com fantasias desenhadas por Araken Martinho.

Depois de alguns anos, passou a criar a tradição de ter como ponto de partida o centenário Gabinete de Leitura Ruy Barbosa. Portanto, com fantasia ou apenas como folião, celebre a importância cultural e histórica do Refogado.

E cante o samba, que enfrenta com espírito ancestral as polêmicas atuais.

Foto de abertura by JundiAqui