A cidade está quase “fora” do mapa da ciência do Estado

Apesar de ser a sétima cidade paulista em termos econômicos, Jundiaí aparece com pouco peso no Mapa da Ciência, recém-divulgado pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo.

O tema não está relacionado à população com escolaridade de nível superior, mas com a produção de novos conhecimentos. O estudo reúne um conjunto de indicadores sobre o período de 2002 a 2011, embasados na concentração de pesquisadores e no impacto de sua produção científica.

Embora situada entre os polos de São Paulo e de Campinas, a região de Jundiaí nesse mapa abrange também Sorocaba e Bragança Paulista. Mas não é destaque em nenhuma área de conhecimento ao contrário da região de Piracicaba, por exemplo, que concentra 15,33% dos pesquisadores na área de ciências agrárias.

Essa região ampliada de Jundiaí concentra 1,85% da produção científica em ciências agrárias, 1,8% em ciências biológicas, 1,76% em ciências exatas e da terra, 2,62% em ciências humanas, 2,11% em ciências da saúde, 2,45% em ciências sociais aplicadas, 2,15% em engenharias e 1,93% em linguística, letras e artes.

O presidente da Academia de Ciências, Marcos Buckeridge, destaca que o Estado de São Paulo é responsável por 50% da produção científica brasileira. E seu antecessor e idealizador do levantamento, José Eduardo Krieger, afirma que o plano é ter uma plataforma de dados “que possa ser consultada, por exemplo, por empresários dispostos a abrir novos negócios. Ali, eles saberão onde há capacidade estabelecida para apoiar seus desafios”, afirma.

Embora voltado para a produção acadêmica, o levantamento ganha importância no horizonte do futuro do Parque Tecnológico de Jundiaí e do estabelecimento de empresas multinacionais com núcleos de inovação e da indústria 4.0.

Os resultados, que poderiam ser ajustados para bases como produtos por 100 mil habitantes para terem uma leitura mais estável, reforçam a necessidade de planejamento para a área.

A cidade é sede de uma aglomeração regional em torno de 1 milhão de habitantes e tem uma Serra do Japi sem um centro próprio de pesquisas em ecologia, tem uma origem do século XVII sem um centro próprio de pesquisas em história e um renome de Terra da Uva prestes a perder um de seus centros de pesquisa em agronomia.

Nos anos recentes, entretanto, teve o reforço de uma Faculdade de Tecnologia (Fatec) da mesma rede de duas escolas técnicas (o Centro Paula Souza) e o embrião de cursos técnicos para um futuro campus do Instituto Federal de São Paulo, além de trabalhos da Faculdade de Medicina e de instituições privadas. Mas as áreas temáticas e sua profundidade estão ainda muito restritas.

A íntegra do mapa está disponível em bit.ly/MapaCiênciaSP.
Leia mais sobre a discussão sobre o mapa e as competências científicas em http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/03/17/um-mapa-de-competencias-cientificas/?cat=politica

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