Conteúdo 2.0: a ‘proteção’ está no modelo de negócio

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Por Gerd Leonhard*

Gerd Leonhard: Conteúdo 2.0: ‘proteção’ está no modelo de negócio (Content 2.0: protection is in the business model) e não na tecnologia (pensamentos sobre o futuro da venda de conteúdo).

Abastecido pelas agitações na indústria da música e, finalmente, com a transformação muito rápida dos livros para o formato digital, há bastante debate em torno do fato das pessoas compartilharem habitualmente isto é, redistribuírem conteúdo digital sem que os usuários paguem por isso.

Como se pode monetizar o conteúdo se a cópia é gratuita? Essa pergunta é uma questão chave em todos os sentidos, seja com a música, com livros digitais, noticiários, editoração, TV ou filmes.

Há o medo, claro, de que a partir do momento que um item digital foi comprado por uma pessoa, ele pode ser facilmente encaminhado para qualquer um se estiver num formato aberto, assim reduzindo significantemente a possibilidade de que outra pessoa pague dinheiro real por ele também (claro que o mesmo também é verídico para conteúdo digital supostamente trancado ou protegido – só demora um pouco mais).

Não ter mais controle sobre a distribuição = não ter mais dinheiro. Certo?

Apesar do simples fato da GDD (Gestão de Direitos Digitais, ou Digital Rights Management em inglês) já ter se mostrado desastrosa no mundo da música digital (e agora já é praticamente o passado), medidas técnicas de proteção ainda vêm sendo investigadas como um método plausível de se garantir o pagamento, especialmente no efervescente setor dos eBooks.

Isso me preocupa muito porque medidas técnicas de proteção são caras, atrapalham ou previnem a adoção em massa, encurtam ou matam o compartilhamento social, o que derrota o marketing usuário-usuário, normalmente limitam drasticamente o uso honesto, e são geralmente inúteis no combate aos piratas reais, isto é, os que têm intenções maldosas e criminosas de roubar conteúdo e vendê-lo para outros.

Não somente conteúdo – Contexto! A meu ver, o pensamento de que a distribuição de conteúdo tem de ser controlada para que haja qualquer forma razoável de pagamento é fundamentalmente equivocado por causa dessa percepção não-tão-futurista: numa economia aberta e enredada (nota: estou falando sobre hoje e não amanhã!) editores de conteúdo têm de oferecer seus bens de uma forma que não mais considere a distribuição como o fator central.

Não deve-se vender (somente) o conteúdo (ou seja, meros 0s e 1s) e sim também o contexto, os valores agregados, os vários outros itens em torno do conteúdo. Venda o que não pode ser copiado.

A tendência irrefutável é que a janela de oportunidade de se ‘vender cópias’ (isto é, iTunes, música digital, Kindle, etc) está rapidamente fechando, pelo menos na maior parte dos países desenvolvidos. A próxima oportunidade, e já muito presente, está na venda do acesso e serviços de valor agregado, e no fornecimento de experiências ligadas ao conteúdo.

A partir do momento que abarcarmos que os usuários – as pessoas dantes conhecidas como consumidores – não podem ser reduzidas a meros ‘compradores de cópias’, poderemos investigar como eles gostariam de pagar por todo o resto também.

Por exemplo, ao comprar um eBook os usuários não deveriam pagar meramente pela autorização da distribuição, ou seja, a cópia legítima das palavras, e sim também poderiam ganhar acesso a comentários altamente especializados, amigos e colegas que possam ler esse livro, avaliações, explicações, apresentações de slides, imagens, links, vídeos, referências cruzadas, conexões diretas com o autor ou o editor e assim por diante.

Sim: conectar com fãs + motivos para comprar (como o Mike Masnich do Techdirt já resumiu sucintamente diversas vezes)…

Tradução Paula Neves, analista de Marketing Digital at Approach (Brazil)

* Gerd Leonhard é futurista e palestrante internacional. Conheça mais o trabalho dele em Media Futurist.

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