Governo local busca lançar seu “projeto campus”

Um evento focado em estudantes na faixa etária a partir de 17 anos, chamado Startech, está marcado para 20 e 21 de outubro como aposta da Prefeitura para lançar um plano ainda em construção chamado Campus Jundiaí. Previsto para o auditório da Biblioteca Pública, no Complexo Argos, é definido como incentivo ao uso da tecnologia para novas ideias em cultura, educação, mobilidade, saúde ou segurança.

Montado pela Companhia de Informática e pela TV Educativa, o evento usa uma brincadeira geek com a sonoridade parecida ao da famosa série Jornada nas Estrelas (Star Trek, no original). As inscrições são online, com vagas limitadas,(clique no link)

O plano mais amplo, entretanto, ainda está em detalhamento final. O assunto é visto como contraponto à imagem de ultraconservadorismo conquistada nacionalmente nas últimas semanas em casos como censura artística. 

Com margem de investimento reduzida pelo custo proporcional da folha de pagamentos, em torno de 45% do orçamento anual, o governo local pretende potencializar a economia com o uso de potenciais da cidade. 

O projeto vem sendo chamado de Campus Jundiaí pelo gestor José Antonio Parimoschi, de Governo e Finanças, mas até mesmo o termo Campus Magnético chegou a ser usado pelo gestor Messias Mercadante de Castro, de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.

Além da atração de novas empresas pelas vantagens comparativas da cidade, outro elemento do projeto é o fortalecimento do empreendedorismo como no mutirão chamado Super MEI, que está sendo estruturado para orientar novos microempreendedores ou regularizar outros que perderam força no caminho.

Ambos atribuem as linhas seguidas ao discurso de prioridade de emprego e renda do prefeito Luiz Fernando Machado e relacionadas aos programas de cidade inteligente e cidade digital definidos no plano plurianual PPA 2018-2021. A lei 8.683, do Plano Diretor, também passou a prever desde o ano passado o tema da economia criativa – que tem pontos de convergência com a iniciativa em discussão. 

Entre as questões levantadas desses programas estão os novos aplicativos, como a implantação do pagamento de tarifas nos ônibus pelo celular.

Pontos irradiadores – Entre os exemplos apontados por Parimoschi e Mercadante como pontos irradiadores para o eixo do Campus Jundiaí estão a Faculdade de Medicina, o Teatro Polytheama, o Complexo Argos, a Serra do Japi, o Bolão, o Parque Tecnológico, a Terra da Uva e o Complexo Fepasa, entre outros.

Mesmo com limites de investimento, o orçamento municipal de Jundiaí está em torno de 6% (R$ 2,1 bilhões) da soma de geração financeira anual estimada com um PIB de R$ 36 bilhões.

Essa diferença-alvo do plano chamado de campus é uma contribuição da cidade para a economia do país muito acima de boa parte dos 5.570 municípios brasileiros, além de suas características peculiares e seus fatores próprios na logística de rodovias, aeroportos e ferrovias na visão de Mercadante, exposta em diálogo com o também economista Mariland Righi na rádio Cidade AM.

Ele também avaliou como um importante ativo as escolas e faculdades técnicas, os serviços como Sebrae, TVTEC, o sistema S (Senac, Senai, Sesc e Sesi) e a rede de universidades privadas, além das entidades da sociedade civil. 

Está nesse campo um outro exemplo já dado anteriormente por Parimoschi sobre o surgimento de derivados de uva e vinho no laboratório de vitivinicultura na Escola Benedito Storani, o antigo Colégio Agrícola, durante entrevista ao Jornal de Jundiaí. Para ele, o foco no empreendedorismo é o estímulo a “start ups” não apenas tecnológicas, mas com entendimento mais amplo de inovação.

O conceito de marcas coletivas da cidade vem crescendo no debate local como visto em boa parte dos debates do Plano Diretor, onde aspectos como Serra do Japi, Terra da Uva ou Jundiahy 400 Anos surgiram inclusive ampliando as discussões econômicas mais convencionais. 

Em banho maria – Outro motivo para a busca de novas alternativas é o andamento lento do Parque Tecnológico, que em 2014 teve sua área transferida do Poste para a região do Novo Horizonte, com área doada com prazo pela Fundação Cintra Gordinho e aterramento feito com solo retirado da obra das alças da Anhanguera.

Na quarta-feira (27), na Imprensa Oficial, a Prefeitura publicou o decreto 27.080 que passa para a unidade de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia a gestão direta do projeto do Centro de Inovação Tecnológica (que inclui a Incubadora e o Parque Tecnológico), até 31 de dezembro, função antes exercida pelo Sindicato do Comércio.As perspectivas passaram a ser de longo prazo.  

 

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