Novo algoritmo do Facebook torna campanha virtual mais complicada

O novo algoritmo do Facebook que entrou em vigor no final no mês de junho afeta em cheio as campanhas virtuais para prefeitos e vereadores. O que já estava complicado para os políticos e responsáveis pelo marketing de campanha, em razão das restrições motivadas pelas novas regras de propaganda e financiamento, ficou ainda mais complicado com as alterações do Facebook. O Facebook é a principal mídia social do planeta, com mais de um bilhão de usuários diariamente. No Brasil, a empresa revela os seguintes números: 99 milhões de usuários ativos mensais. 89 milhões de usuários móveis ativos mensais. 8 em cada 10 brasileiros conectados estão no Facebook. Só esse último número (8 em cada 10) demonstra claramente a importância do Facebook para qualquer pessoa que queira utilizar da rede social para qualquer finalidade. Incluindo aí, as campanhas políticas para prefeito e vereador. Mas não só. São afetados pelas alterações do algoritmo todos aqueles que, durante muito tempo, se beneficiaram do Facebook para divulgar seus produtos. Notícias inclusive. As empresas de mídia também sofrem com a mudança. Muitas das empresas de comunicação, especialmente aquelas originárias do mundo analógico, encontraram no Facebook uma ferramenta para ampliar seu número de leitores. Mas o Facebook pensa apenas no Facebook. Quem não construiu sua rede de leitores fiéis perde tráfego e, com ele, rentabilidade. Para políticos, no entanto, o problema é ainda maior. O Facebook vinha sendo usado como ferramenta de divulgação de ações e ideias no período de pré-campanha, uma forma de divulgar o nome sem desrespeitar a lei eleitoral. A lei não permite, na pré-campanha, a divulgação de programa de governo. O Facebook permitia que a informação fosse disseminada de forma mais ampla, mas com a mudança do algoritmo a tendência é que a informação seja propagada apenas através da rede de amigos e amigos dos amigos. Existe a possibilidade da divulgação patrocinada, mas a estratégia esbarra na falta de dinheiro ou da necessidade de transparência por parte de quem patrocina, uma vez que o financiamento de campanha tem que ser detalhadamente explicado. E o que vale hoje pela lei é o financiamento por parte de pessoas físicas. É a primeira vez que a lei está sendo aplicada. Um grande complicador para a campanha eleitoral, não bastasse o clima de incerteza provocado pela ruptura institucional. Tempos duros. Para alcançar seu público, o candidato vai precisar, cada vez mais, aplicar nas redes sociais, Facebook incluído, a mesma estratégia das ruas: conquistar apoiadores dispostos a levar suas ideias a outros amigos e assim ampliar sua relevância. De certa forma, a mudança do Facebook está em sintonia com a nova lei eleitoral, bem mais restritiva ao mundo da propaganda anabolizada. Tanto a nova lei como a alteração no Facebook vai privilegiar quem conseguir construir uma rede de apoiadores verdadeira baseada em reputação, o grande patrimônio de um candidato tanto no mundo das redes virtuais quando, especialmente, no mundo real. Está em vantagem quem já construiu essas redes ou tem nome conhecido e reconhecido por seus eleitores. A campanha será rápida, apenas 45 dias. O que torna a pré-campanha ainda mais importante. Pra chegar ao eleitor, o candidato terá que ter muito mais que um milhão de amigos, pra lembrar a velha canção de Roberto Carlos. E amigos verdadeiros, capazes de conquistar outros amigos e somar votos no final. Contatos são privilegiados no feed de notícias Segundo artigo de Raquel Freire publicado no TechTudo, a nova atualização do Facebook faz com que o feed de notícias passe a exibir mais posts de amigos e familiares. A partir de agora, as publicações criadas por esses contatos aparecerão no topo do News Feed, mesmo que o usuário não os tenha rankeado para “ver primeiro”. Segundo a empresa, a mudança foi motivada pelo excesso de informação atual do feed, originalmente pensado quando a rede social tinha um bilhão de contas a menos. A novidade, anunciada pelo vice-presidente de produto do Facebook, Adam Mosseri, afeta tanto as plataformas móveis quanto a versão web. A proposta do novo algoritmo, explica a matéria do TechTudo, consiste em identificar os interesses particulares de cada pessoa. Os amigos e familiares priorizados no topo do feed serão aqueles com quem o usuário mais interage. A ideia é que todos os posts de contatos “importantes” não sejam perdidos enquanto alguém estava fora. Depois dos amigos e familiares, o News Feed vai priorizar informações e entretenimento. Assim como com os contatos pessoais, o algoritmo vai identificar o que cada um considera informativo ou fonte de diversão. Se para alguém é esporte, esse conteúdo será mostrado mais vezes; se para outra pessoa é notícia de celebridade, é isso que aparecerá. Isso faz com que, por exemplo, na minha timeline os posts de música apareçam agora com muito mais frequência, bem como publicações de amigos e parentes, coisa que não acontecia antes. Mosseri também demonstra preocupação com o que chamou de “comunicação autêntica”. Segundo ele, a rede social está trabalhando para conseguir identificar que tipo de histórias e postagens as pessoas consideram mentirosas, sensacionalista ou spam, de forma a mostrá-las menos. Ou seja, notícias plantadas, sites criados apenas para disseminar informações de candidatos, tendências ou empresas, estão na mira do Facebook. A reformulação no algoritmo, no entanto, não eliminará os botões de controle do usuário. Ainda será possível classificar um perfil em “deixar de seguir”, “padrão” ou “ver primeiro”, bem como desativar notificações de um post. “Nosso objetivo é entregar os tipos de histórias que temos recebido em feedback que um indivíduo mais quer ver. Fazemos isso não apenas porque acreditamos que é a coisa certa, mas também porque é bom para o nosso negócio. Quando as pessoas vêem o conteúdo no qual estão interessadas, são mais propensas a gastar tempo no News Feed e desfrutar de sua experiência”, explicou Mosseri. Ou seja, como sempre o Facebook olha para o negócio Facebook (que inclui ainda o Instagram e o Whatsapp). E não poderia ser diferente. Afinal, o Facebook é uma empresa. E, como empresa, visa lucro pra seus acionistas. Quem baseia ou baseou sua estratégia na rede social terá que rever, rapidamente, sua estratégia. Na web e na vida real vale sempre a máxima de que conteúdo relevante e reputação são as chaves para o sucesso de qualquer iniciativa. No mais, aguente gatinhos engraçadinhos, receitas de bolo e aniversários na sua timeline. Leia o artigo completo em TechTudo Facebook anuncia mudanças no News Feed; saiba como fica o novo algoritmo