Revolução “fab lab” chega à cidade pela educação

Uma cadeira de rodas para cães deficientes é um dos primeiros casos de testes de inovação divulgados no ensino de Jundiaí com o uso do método “fab lab”, espaços de desenvolvimento de ideias com uso de tecnologias de apoio.  

O grupo de estudantes de ensino fundamental 2 e médio do Sesão, orientado pela professora de matemática Grazziela Bedariol, atuou no projeto Engenhocas Fantásticas com apoio do laboratório Fab Lab da rede em São Paulo (capital).  

A sigla pode ser traduzida como laboratórios de fabricação e são como oficinas de uso colaborativo com configurações básicas como impressoras 3D, cortadores a laser ou fresadores CNC, que podem ser usadas por qualquer pessoa com uma ideia.

São divulgadas há alguns anos na cidade por diversos ativistas da economia criativa.

Divulgação (Sesi Jundiaí)

O protótipo criado pelo projeto escolar foi destinado a uma cachorrinha chamada Vitória, de dois anos de idade, que perdeu o movimento das patas traseiras depois de um atropelamento.

A indicação foi de voluntários envolvidos no projeto Pracinha dos Dogs na Escola, que inclui a professora Sara Penteado e orienta a construção de casinhas para cães de rua, ao lado de castração, visando aqueles que dificilmente serão adotados.

“Essa parceria fez o projeto ser realmente útil”, afirma em nota a coordenadora pedagógica Silvane Erhardt.

O desafio das medidas exatas do projeto foi a âncora usada para o projeto ser orientado no eixo da matemática, dentro da abordagem interdisciplinar mais ampla de cidadania e de inovação.

Surgido na metade da década de 2000 no Massachussets Institute of Technology (MIT), o conceito de “fab lab” usado como apoio ao projeto vem se espalhando por universidades, ONGs e instituições de muitas cidades no Brasil, como nos casos em São Paulo de experiências abertas como o Garagem Fab Lab ou a rede de laboratórios municipais Fab Lab Livre.

De forma geral, estão ligados a processos de inovação, espaços colaborativos e democratização de técnicas digitais associadas a desenvolvedores de ideias (“makers”).   

Embora esteja ligado ao campo da educação, o caso indica que o tema deve ser analisado também para a política de desenvolvimento econômico ou cultural. Na política urbana, o atual Plano Diretor recomenda em Jundiaí um programa específico para a economia criativa, que abrange da tecnologia às artes, passando por áreas como moda, arquitetura ou games.

Ao lado desse campo mais amplo da questão dos “fab labs”, o projeto da rede do Serviço Social da Indústria também mostrou que a sensibilidade aos animais também gera benefícios pessoais. A professora Grazziela apontou na nota que os alunos envolvidos fizeram desde o desenho do protótipo até todos os cálculos necessários para a adaptação.

Dessa forma, o eixo integrador busca estimular o conhecimento, o contato com a tecnologia e, claro, a criatividade. As áreas em que o projeto foi dividido foram paralelas com os temas das Bases Curriculares Nacionais que são além da matemática as linguagens, as ciências humanas e as ciências da natureza. Show.

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