Rio Jundiaí volta a ter jundiás e torna-se destaque nacional

Considerado “morto” na década de 1980, o rio Jundiaí tornou-se destaque nacional no sábado (25) com a divulgação de relatório inédito da Fundação SOS Mata Atlântica que indicou 100% de qualidade de sua água perto da foz no rio Tietê, em Salto. O principal indicador divulgado foi o retorno do peixe jundiá (ramdhia quellen), que dá o nome ao rio, desaparecido há quase quarenta anos.

O levantamento teve 134 amostras em rios do Estado de São Paulo mas apenas quatro tiveram o mesmo resultado.

O rio tem 123 quilômetros de extensão e nasce na Pedra Vermelha, divisa de Mairiporã com Atibaia, percorrendo os municípios de Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Jundiaí, Itupeva, Indaiatuba e Salto. A região é bastante industrializada e tem cerca de 1 milhão de habitantes, mas também tem forte presença rural e ambiental

A despoluição, que leva tempo, começou com um comitê de municípios, empresas e órgãos estaduais em 1982. Atualmente, todas as cidades contam com estações de tratamento de esgoto.

Em Jundiaí, pioneira nesse tipo de saneamento na década de 1990 com tratamento de quase 100% do esgoto produzido, diferentes ações reforçaram os cuidados com as bacias hídricas relacionadas ao rio principal.

Em 2004, a área de preservação da Serra do Japi foi ampliada com o território de gestão instituído pela lei complementar 417, que pode entrar em revisão neste ano. Já a revisão mais recente do Plano Diretor na lei 8.683, em 2016, aumentou a proteção das zonas rurais relacionadas com as bacias do rio Jundiaí-Mirim, do rio Capivari e do ribeirão Cachoeira-Caxambu.

A empresa municipal DAE promoveu um levantamento do estado de mais de 6 mil nascentes no município, associadas em parte a remanescentes de mata nativa que formam áreas de recarga de lençóis. Na crise hídrica de 2014-2015, onde a dependência de captação do rio Atibaia (com bombas na cidade de Itatiba) foi amenizada pela represa com reserva para dois a três meses de abastecimento e não 50 anos, como se dizia na década passada, a população aprendeu a consumir menos água com mais eficiência e reuso.

Na iniciativa privada, há empresas com altíssimo grau de economia de água e parte delas apoia a Coalisão pela Água, iniciativa da organização internacional The Nature Conservancy que é parceira da Prefeitura e do Estado no replantio de matas ciliares do Projeto Nascentes, base de um futuro sistema previsto na legislação para o pagamento de serviços ambientais (PSA) a proprietários rurais.

As bacias do município foram redefinidas de seis para sete – as do rio Jundiaí-Mirim, Guapeva, Estiva, Cachoeira-Caxambu e Central do Rio Jundiaí, relacionadas com a bacia em questão, e mais as do rio Capivari e do rio Jundiuvira que correm para bacias vizinhas.

Tudo isso ao lado do trabalho das demais prefeituras, empresas da região, movimentos ambientais e órgãos estaduais como a Cetesb. No ano passado, o Conselho Estadual de Recursos Hídricos aprovou a passagem de grande trecho do rio da classe 4 para a classe 3, permitindo seu uso para abastecimento.

Com tudo isso, Jundiaí tem resgatado no rio principal seu nome original da língua tupi-guarani ou nheengatu (a língua geral do século XVII, com grafia Jundiahy) que significa exatamente as águas dos jundiás.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/03/apos-despoluicao-rio-jundiai-volta-ter-peixes-e-abastece-moradores.html

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