Uma fábrica de ideias. Que tal pensar em algo assim por aqui?

O site do Projeto Draft tem uma série onde explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que quem pensa na economia criativa precisa saber para se conectar seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores.

Recentemente, em um artigo de Isabela Mena, o site explicou o que é Fab City, um programa articulador que propõe a implementação, em cidades de todo o mundo, do desenvolvimento da produção local de tal forma que as transformem em autossuficientes e conectadas. Uma proposta tudo a ver com o momento em que a cidade vive e o pensamento de fazer de Jundiaí um pólo tecnológico e de inovação.

O que acham que é: O mesmo que Fab Lab.

O que realmente é: Fab City é um programa articulador que propõe a implementação, em cidades de todo o mundo, do desenvolvimento da produção local de tal forma que as transformem em autossuficientes e conectadas. A base do programa é a construção de uma nova economia na qual os dados (informação, conhecimento etc) são distribuídos e a infraestrutura é de manufatura. Fab City também é como se denomina as cidades que usam o programa.

O Fab City é composto por um think tank (grupo de reflexão) internacional de cidadãos, governo, makers, urbanistas e inovadores que trabalham na mudança do paradigma da economia industrial atual, pelo qual determinada cidade opera em um modelo linear de importação de produtos e produção de resíduos, para torná-lo mais igualitário, mais colaborativo, mais responsável.

Segundo Heloisa Neves, fundadora da We Fab (uma consultoria maker que aplica colaboração a processos de inovação e implantação de Fab Labs), e professora do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, uma Fab City é uma cidade que resolve adotar metas — redução de carbono, minimização da produção de lixo e relocalização da manufatura, por exemplo — para fazer com que a vida dos cidadãos possa ser melhor. Para isso, utiliza laboratórios do tipo Fab Lab, nos quais se prototipam ideias e conectam pessoas. “A presença e a atitude das pessoas é super importante em uma Fab City. Ela não é um projeto ‘de cima para baixo’ e, sim, construída em conjunto”, conta.

Neves diz que é importante esclarecer que Fab City não é o mesmo que Fab Lab mas, sim, utiliza de sua potência para se concretizar. “Políticas públicas podem parecer algo lento, mas com os protótipos e as validações de ideias que os Fab Labs produzem, a implementação é mais rápida. Eles fazem com que a Fab City não seja somente uma promessa de governo mas, sim, uma realidade de todos.”

Quem inventou: O urbanista Tomas Diez, do Fab Lab Barcelona, diz que o Fab City se encaixa na categoria de coisas que não foram inventadas por apenas uma pessoa mas, sim, pelo esforço de muitas. “É preciso dizer que o Fab City só existe graças à relação entre o Institute for Advanced Architecture of Catalonia (IAAC), em Barcelona, o MIT’s CBA, in Boston , o Fab Lab Network global e o Fab Foundation”, diz ele.

Quando foi inventado: “O projeto foi construído com base no conhecimento de décadas passadas, por muitos pensadores. E então vários desses princípios foram conectados com as tecnologias e os contextos globais atuais”, afirma Diez.

Para que serve: Segundo Diez, o principal benefício de uma Fab City é colocar, em um mesmo plano, várias perspectivas diferentes como Fab Labs, Movimento Maker, Economia Circular, Blockchain, STEAM, Open Source, Economia Compartilhada e Indústria 4.0, entre outras, para alcançar uma mudança global. “Com isso, nossa missão é mudar o paradigma atual da economia em direção a uma outra mais inclusiva e produtiva para cidades e pessoas”, afirma.

Quem usa: Quaisquer cidades que queiram aderir. No link Road Map do site oficial da Fab City há um mapa com as 16 cidades (ou regiões dentro delas) que participam do projeto, tais como Barcelona, Amsterdã, Paris, Santiago, Kerala etc. Não, até o momento, há nenhuma cidade brasileira.

Neves afirma que já é possível ver mudanças e mobilizações em cidades que adotaram a Fab City. Ele conta, por exemplo, que Amsterdã teve por seis meses um espaço que reunia pessoas que estivessem trabalhado em projetos que pudessem ser incluídos no tema da Fab City: “Ali as pessoas se conectavam, o cidadão discutia com alguém do governo, com empresas, instituições de terceiro setor etc”.

Efeitos colaterais: Um risco é a utilização do nome Fab City por projetos que não seguem ou não entendem o programa. Neves considera que esse efeito pode ser maléfico. “Para que uma cidade seja uma Fab City não basta somente implementar Fab Labs, é preciso que esteja conectada com políticas públicas e que as pessoas, tanto do governo quanto da sociedade em geral, estejam comprometidas com sua melhoria”, diz ela.

Diez não fala em pontos negativos mas diz que a mudança é drástica na relação entre seres humanos e recursos naturais e, até, em como se vive e se morre: “A Fab City será tão transformadora quanto a industrialização mas, desta vez, será mais inclusiva e mais responsável com o meio ambiente”.

Quem é contra: Não há.

Para saber mais:
1) Leia, na OuiShare Magazine, The Fab City – It’s More Than Just A City Full Of Fab Labs, texto que esclarece a dúvida recorrente em relação aos laboratórios.
2) Assista, no YouTube, Amsterdam’s Fab City: urban solutions for tomorrow. É uma reportagem da Euronews sobre a aplicação do projeto na capital holandesa, no distrito de Easter Harbour.

3) Leia no Makery — Media For Labs, Tomas Diez: “A whole ecosystem emerges around the Fab City in Barcelona”.

Artigo reproduzido com autorização do site Draft